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?Demoliram nossa vida?, diz mulher desalojada

Marcele Tonelli com Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Na manhã de ontem, três famílias bauruenses moradoras da quadra 1 da rua Rinshiti Saito, na Vila Santista, encerraram sua corrida contra o tempo para a retirada de todos os pertences das casas que seriam demolidas. Após um processo que se arrastou por quase 14 anos, elas foram obrigadas, por meio de uma ordem judicial, a sair de uma área ocupada irregularmente. Eles seguirão para casas de vizinhos e parentes até serem encaixados em programas assistenciais da Sebes.

“Me sinto enganada. Toda nossa vida estava ali e, agora, tudo está no chão”, lamenta a do lar Michelle Teodoro Curina, 29 anos, que em dois dias afirma ter se desfeito de mais de 12 anos de história para cumprir a ordem de desocupação.

Na edição de ontem o Jornal da Cidade publicou uma reportagem explicando a situação das famílias e os motivos da desocupação do local. A suspeita é de que os moradores tenham sido vítimas de um golpe aplicado por uma mulher que vendeu o terreno de cerca de 600 metros de maneira irregular. Ela teria se apresentado ao primeiro comprador como herdeira de um dos primeiros bandeirantes que se fixaram em Bauru.

O verdadeiro proprietário do local, entretanto, conforme o próprio Tribunal de Justiça de São Paulo reconheceu, é o psiquiatra Wilson Siqueira. A área na escritura que pertence a Siqueira há 17 anos compreende 1.450 metros quadrados da rua Rinshiti Saito. A intenção do proprietário é vender os lotes.

 

Drama

No local, enquanto dois caminhões demoliam as moradias na manhã de ontem, as três famílias assistiam com emoção a derrubada, na expectativa de que algo ainda pudesse mudar nos últimos instantes. “Vendemos tudo o que tínhamos para comprar essa área. Teremos que reunir forças para recomeçar. É difícil...”, ressalta em tom de emoção Luiz Barbosa Soares, 67 anos, abraçado com sua esposa, Aparecida Irene Santos Soares, 66 anos.

Apesar do processo tramitar há anos na Justiça, as famílias alegam que foram comunicadas somente há 30 dias, quando receberam uma notificação das mãos de um oficial de justiça.

“Ele nos orientou a procurar um advogado para tentar ganhar um pouco mais de tempo, mas não adiantou muito”, conta a doméstica Maria Luíza Cardoso, 41 anos, moradora da primeira casa a ser demolida, localizada entre o cruzamento da rua Rinshiti Saito com a avenida Comendador José da Silva Martha. Ao todo, 14 pessoas ficaram desalojadas.

Moradores da segunda casa demolida, o prensista Paulo Henrique Sobrero, 34 anos, e sua esposa Michelle Teodoro Curina lamentavam a mudança da moradia com cinco cômodos para um barraco com dois.

“Como é possível isso ter acontecido e ninguém notado antes? Recebíamos a conta de água e de luz normalmente”, questiona Paulo, que além da esposa Michelle e dos dois filhos de 8 e 12 anos, terá que dividir um barraco de dois cômodos com mais dois cachorros e três gatos da família.

“Fomos passados para trás. Não tenho palavras para descrever nossa tristeza”, diz Luiz Barbosa, que morava na terceira casa destruída junto com a esposa, Irene, três filhos adotivos, de 14, 17 e 19 anos, três cachorros, uma galinha e três gatos.

O casal conta ter trocado o imóvel há 14 anos por um trailer de lanches, uma máquina de assar frango e dinheiro, somando cerca de R$ 6 mil.

Já a família do pedreiro Antônio Franco de Almeida, 47 anos, esposo de Maria Luíza, alega ter comprado o terreno de 600 metros por volta de 1997 de uma senhora. Com a desocupação, eles deverão mudar-se para dois cômodos da casa de uma vizinha, que cedeu o espaço provisoriamente ao casal e aos três filhos deles, de 18, 22 e 23 anos.

 

Demanda dirigida

Para amenizar a situação das famílias, uma equipe da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) esteve no local amparando os desalojados, que foram levados para a sede da secretaria. De acordo com a secretária Darlene Têndolo, “todo o atendimento será prestado para a subsistência dessas pessoas, que não ficarão desamparadas”. Ainda segundo ela, as famílias deverão esperar na casa de familiares pelo prazo máximo de três meses para participar da ‘demanda dirigida’ dos programas assistenciais da Sebes

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