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Citius, Altius, Fortius

Fábio Paride Pallotta
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Mais rápido, mais longe, mais forte... Com esse lema, criado pelo pastor dominicano Henri Didon, amigo do Barão de Coubertin, estava cunhada a frase que encarna o espírito das Olimpíadas e de todas as disputas humanas pela superação de si mesmo e de seus limites. Não se trata apenas da superação do outro, do oponente, daquele que é melhor em determinado momento, mas da superação de si, pelo esforço pessoal e voluntário. O esporte, em evidência a cada quatro anos devido aos Jogos Olímpicos, é um espetáculo sem igual onde, como na vida real, nada está decidido de forma definitiva e insuperável e o ser humano se supera testando os seus limites e de seus contendores. Dentro do Espírito Olímpico, desde 1960 acontecem também as Para Olimpíadas, por idéia do italiano Antonio Maglia, onde o humano mostra toda a sua superação com atletas que detêm algum fator incapacitante competindo entre si não pelo melhor resultado, mas pela superação e o sentimento de pertença da Grande Família Humana.

Bauru, cidade de grandes tradições esportivas, teve um dos seus maiores momentos no esporte com a fundação do Esporte Clube Noroeste, no dia 1º de Setembro de 1910, como forma de dar aos funcionários da ferrovia Noroeste do Brasil lazer e diversão. Conforme a cidade ia se desenvolvendo os clubes e piscinas particulares foram aparecendo e além do futebol começaram a ser praticadas outras modalidades esportivas. A cidade tem tradição muito forte no tênis de campo, na natação, no pólo aquático, no judô, no atletismo e no basquete, onde um dos introdutores da modalidade foi o professor Durval Guedes de Azevedo, através da Escola Guedes de Azevedo.

Hoje o esporte faz parte da Economia Criativa e gera ao ano bilhões de dólares entre consumo de produtos esportivos, ingressos de jogos, salários de profissionais do esporte e atletas, além de outros itens.

Com certeza, o futebol é o esporte mais praticado e o mais rentável entre seus pares, mas em tempos de Olimpíadas teremos finalmente a visibilidade de outros esportes que merecem ser praticados e vistos. Dentro das características assumidas pelo esporte contemporâneo Bauru poderia se destacar e se transformar em referência estadual e nacional ao aproveitar o Complexo Esportivo do Esporte Clube Noroeste em um grande Centro Esportivo, quem sabe Olímpico onde teríamos vários esportes sendo praticados em conjunto facilitando os treinamentos e acompanhamento dos atletas. Aos que julgam tarefa difícil ou inoportuna devemos lembrar que aquele complexo foi financiado com dinheiro público e teve desde o início como intenção, como vontade de seus criadores e vocação natural a utilização de forma integrada por vários esportes e não apenas o futebol.

O Noroeste tem uma pista de atletismo ao redor do campo de futebol e a famosa "Panela de Pressão" ao lado (Jornal da Cidade, Edição Especial ECN 100 Anos, 1 de setembro de 2010, página 38, "Sem Vargas, sem Estádio"). Como a maior parte das realizações humanas em sociedade esse ousado projeto depende da vontade política dos envolvidos, mas não é demais lembrar que aqueles que se destacam, que se colocam acima das pessoas comuns tem que tomar atitudes em prol da maioria com verdadeiros estadistas, no caso dos políticos e pessoas preocupadas em partilhar o seu sucesso pessoal profissional com sua comunidade como temos em Bauru o Projeto Futuro de Natação e Pólo Aquático.

Não podemos esquecer que a cidade ganhou do governo estadual uma piscina de 50 metros que só depende de onde será feita. Poderia ser construída no lugar das piscinas que foram aterradas no Esporte Clube Noroeste como inicio do grande projeto esportivo de Bauru.

O autor, Fábio Paride Pallotta, é professor de história e colaborador de Opinião

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