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Grupo cobra melhorias na Saúde

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan

Manifestantes cobraram ontem durante passeata melhorias no sistema público de saúde

“Queremos Justiça!”. Essa era a frase de ordem que marcou a passeata realizada ontem, em Bauru, após a morte da estudante universitária Drielly Carla Alves de Brito, 22 anos, chocar toda a cidade. O fato, além de gerar indignação e revolta, levou os manifestantes a reivindicarem melhorias no sistema público de saúde da cidade.


O ato, batizado de “Passeata pela Justiça e Igualdade”, contou com a presença de pelo menos 500 manifestantes, entre familiares e amigos de Drielly, que vestiram-se de preto para reforçar o luto. Participaram também outras pessoas que perderam entes queridos por negligência do sistema público de saúde. A iniciativa, que chamou a atenção dos bauruenses na tarde de ontem no Parque Vitória Régia, foi organizada pelo Movimento Zeitgeist Bauru e familiares de Drielly. As redes sociais, como o Facebook, foram também ferramentas que ajudaram a mobilizar os manifestantes, que se encontraram às 14h na região do anfiteatro do Parque. Às 15h30, os manifestantes partiram do Parque em direção à avenida Nações Unidas, atravessaram a Duque de Caxias e findaram o caminho defronte à Prefeitura Municipal.


Conforme noticiado pelo JC, Drielly ficou aguardando vaga para internação durante três dias em uma maca no corredor do Pronto-Socorro Central (PSC). A jovem morreu sem atendimento hospitalar na última quinta-feira. Com diagnóstico de colecistite aguda calculosa (pedra na vesícula), ela sucumbiu a uma hemorragia depois de três dias de espera, possivelmente porque as pedras obstruíram o canal do pâncreas.


A família da estudante diz que pretende levar o caso à Justiça.

 

“Ela sempre estava com um sorriso”

Coincidentemente, a jovem completaria 23 anos ontem. Estudante de marketing da Faculdade Anhanguera, Drielly deixa o seu sorriso marcante como lembrança na mente dos amigos e conhecidos. “Ela sempre estava com um sorriso no rosto”, recorda a amiga Daniela Pavanelo Segantin, 22 anos.


O namorado de Drielly, André Alvarenga, que acompanhou todo o caso da estudante de perto, estava abalado. Ele e a jovem estavam juntos há cinco meses. Indignado, ele criticou o atendimento falho dado à Drielly e a ausência de estrutura do sistema público de saúde na cidade.  “A gente quer chamar a atenção, com essa passeata, para o descaso com a saúde”, ressaltou André. “É difícil. Como consolar uma família com um caso desses? A gente morava junto, é difícil...”, emocionou-se.


O irmão da moça, Luiz Guilherme de Brito, assim como pai, Luiz Carlos de Brito, fizeram questão de  alertar os participantes para a necessidade de lutar por melhorias no sistema público de saúde. O pai da garota levou um cartaz com fotos da filha, e, pouco antes do início do protesto, ergueu o cartaz e, cheio de lágrimas nos olhos, disse que espera por Justiça. “Vocês não imaginam a dor que estou sentindo. Espero que todos vocês aqui tenham suas famílias um dia, e não precisem passar pelo que eu estou passando. Isso não pode mais acontecer”, lamentou.


“Tem vereador que compareceu ao velório da Drielly, mas porque eles não se preocupam em visitar os hospitais, o pronto-socorro? Esse ato não é só pela Drielly, mas para todos que estão sujeitos a passar por isso”, questionou André.


Homem diz que carro foi danificado

Um homem telefonou para o Jornal da Cidade para denunciar uma ocorrência de desrespeito que, segundo ele, teria acontecido em meio à manifestação de ontem no Vitória Régia. De acordo com Vamilton Martins, ele conduzia um Apolo, quando, ao atingir um semáforo da av. Duque de Caxias, próximo à rua Gustavo Maciel, foi surpreendido pelos manifestantes que caminhavam em meio à avenida. “Eu atingi o sinal, que estava fechado. O sinal abriu e o carro que estava à minha frente virou. Eu parei e buzinei”, relatou. “As pessoas estavam participando da passeata e eu não sabia. Mas começaram a bater no meu carro, que chegou a ficar danificado”, reclamou.






 

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