São 550 músicas gravadas por diversos artistas e uma carreira marcada pela história e riqueza do samba. Esse importante representante da boa música brasileira, Arlindo Cruz, é atração principal do megaevento Viva Bauru e aguarda os bauruenses para show especial aberto a toda comunidade no Parque Vitória Régia, hoje, a partir das 20h30. Antes de Arlindo, outros músicos se apresentam (confira programação ao lado).
A escolha de Arlindo para ser o principal “presente de aniversário” em comemoração aos 116 anos de Bauru não foi por acaso. O samba foi o gênero escolhido para coroar a data, pois o poder deste estilo musical não ajuda só a resgatar as raízes brasileiras, mas também é capaz de unir várias faixas etárias e superar a divisão de classes sociais. E a vinda do renomado sambista para o Viva Bauru foi pensada visando atingir um público mais diversificado, superando divisões e atraindo famílias para comemorar no Vitória Régia.
E foi justamente esse lado multifamiliar um dos pontos destacados pelo próprio Arlindo Cruz em entrevista ao JC Cultura. “Arlindo Cruz é para toda a família”, destacou o sambista. Ele diz também fazer música para se comunicar com várias gerações e em suas canções conta e canta a história do povo.
Arlindo mudou a cara do samba nas últimas décadas. Sem deixar de preservar a essência, recolocou o samba no rádio, popularizou as rodas de samba e abriu diálogos com a chamada MPB e outros gêneros. O compositor é ainda o responsável pela proliferação do banjo no samba. O sambista cravou, nesses 30 anos, um percurso cultural de destaque. O trabalho mais recente do artista é o DVD “Batuques do Meu Lugar”, gravado no mês passado, no Rio de Janeiro. Confira a entrevista com o cantor e compositor:
JC - Como será seu show no Viva Bauru?
Arlindo - Vou cantar músicas minhas e músicas gravadas por intérpretes. Vão ter músicas do meu DVD da MTV Ao Vivo, também do meu primeiro DVD, “Pagode do Arlindo”. E reservo algumas surpresas do meu mais recente DVD, “Batuques do Meu Lugar”, gravado recentemente, que vai começar a chegar nas lojas em setembro. O show sempre tem canções minhas e outras que foram sucesso na boca de outros intérpretes, como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, o Fundo de Quintal, entre outros. Todos que gravam músicas minhas eu procuro sempre cantar... o pessoal vai sambar e se divertir muito. Espero que seja um show que traga muita alegria para os bauruenses. Que seja um domingo de felicidade em Bauru!
JC - Você já esteve em Bauru outras vezes, tem alguma lembrança da cidade?
Arlindo - Tenho sim, uma lembrança bem estranha. Me lembro que estava voltando de Bauru, indo para São Paulo, e o piloto do avião passou mal. Pois aí é muito quente, não é? Então eu acho que o piloto não estava acostumado com o clima de Bauru, ou comeu algo que não fez muito bem. O piloto aterrissou em Bauru e, quando chegou ao aeroporto, tiveram que chamar uma ambulância, foi algo meio estranho. Eu adoro calor, estou acostumado, acho um clima maravilhoso, mas acho que o piloto não se deu bem com o calor de Bauru! (risos).
JC - Recentemente, você produziu e gravou o DVD “Batuques do Meu Lugar”. O trabalho é uma viagem pelos variados batuques brasileiros, incluindo até os batuques de orixás...
Arlindo - A própria cultura do samba e a história do samba carioca têm tudo a ver com o culto aos orixás. Não só musicalmente, mas historicamente. As casas e os terreiros de candomblé tinham seus rituais. E quando eles acabavam, tinha a roda de samba, onde se reuniam músicos como Pixinguinha e caras que fizeram a música brasileira ficar mais bonita com o choro, o maxixe, e todas essas misturas de ritmos africanos que deram origem ao samba, a essa riqueza polirítmica do samba. A própria percussão do samba tem muita coisa a ver com o ouvir da umbanda. E essa foi a intenção, mostrar os ritmos, homenagear os ritmos, mas na verdade todos os ritmos acabam homenageando o samba, que é o ritmo mais conhecido Brasil afora. Todos querem sambar. Mundialmente, o samba é a música do Brasil, sem dúvida nenhuma.
JC - Seu público é diversificado, passando por várias faixas etárias e classes sociais. Como é transitar por esses diferentes públicos?
Arlindo - É um desafio grande. Isso me deixa feliz e até um pouco envaidecido em saber que uma criança me vê na televisão e cria identificação com a minha imagem. As crianças querem tirar foto comigo, assim como os mais velhos. Tem também adolescente cantando samba, e gostam. E eu gosto de fazer música com gente mais nova, não só a velha guarda. Assim eu garanto a jovialidade do meu trabalho, e minha música faz com que eu consiga me comunicar com todas as gerações.
JC - Então, o samba acaba unindo também?
Arlindo - Pois é, Arlindo Cruz é para toda família! E eu gosto de ver meninas no meu show me pedindo autógrafo – “me dá um autografo, meu pai vai adorar” – e aí eu dou o autógrafo e vejo que o pai da menina me conhece há 30 anos. E vejo gente mais nova me conhecendo agora. Esse respeito e carinho que tenho do público é muito bom. E meu trabalho tem essa coisa herdada dos grandes compositores brasileiros. Acho que todos esses compositores tiveram a preocupação de receber do público e devolver ao público em forma de canção. E sem falar que o brasileiro é um personagem ótimo para o samba. Tem sempre alguém engraçado, alguém com marra, tem sempre gente que nos dá um subsídio, um enredo, pois eu conto a história do povo.