Por mais que doa, sempre passa. É a vida. O oposto não teria sentido. Emoções zero. Carece pensar para entender ou fazer diferenças. Se ela e os sonhos estiverem em preto e branco, dar-lhes cores para alegrá-los. As coisas ruins que acontecem sempre passam. Às vezes demora, mas de repente não existem porque foram encaradas. E apagadas! As aflições físicas passam na hora com a ciência ou depois ao chegar lá! Só o corpo dói. Tolerar com fé. Orar! Dor é a alforria da alma e do espírito.
Frustração porque o plano não deu certo? Fracasso não existe! É o desafio para tentar mais vezes até dar certo. É o repto para se levantar. Nunca abaixar a cabeça. Queixo aprumado e confiante. A disposição do "eu sou capaz!" é o sinal que o temor passou. O amor foi embora? (O meu foi... Chorei pra chuva me invejar. Demorou, mas lidei. Ficou a saudade. Às vezes ainda vontade de chorar. Mas já que passou, não mais). Ah!...O amor sempre moleque. Faz pessoas viverem primavera ou inverno. Cheiro da flor de laranjeira. Poesia. Acende e apaga a lua. Faz calmarias e temporais. Drama. Gatilho chamado ciúme. Amalgamação de pretensões. Encontros e desencontros. Metades que não combinam criando ilusões. Quando é bucólico, coração, alma e espírito, é sentimento que nunca passa. Dá cobiça de se viver, dá gosto de se ver. Criança que nunca envelhece.
Demora, mas passa... Só a vida demora menos do que pensamos. De repente... Enquanto a gente está aqui, tantos que amamos passaram pro lado de Lá. E o egoísmo fica remoendo até com raiva porque passou tão depressa. Não deu tempo pra confessar o amor nem pra pedir perdão. Tempo deu, mas o orgulho não deixou. A vida não tem idade. É sempre hoje. Agora! Pão quentinho. Acabou de sair do forno. Viver o presente, desfrutar a dádiva da existência. O que aconteceu, mesmo demorando, passou. Então, sorrir e abraçar agora. Namorar e beijar agora. (Não esquecer a camisinha). Escrevo sem medos: a vida é um sopro suave e estonteante. É um suspiro de amor! Um ai de nostalgia. Um ui de alegria. Um puxa para cada encanto. Um putz de espanto. Nó na garganta ao despertar e ver o beija-flor a beijar a flor. Saudade dos pés descalços sentindo a terra, mãe que consente caminho sem fim da esperança que nunca passa. "A vida é uma criança que é preciso embalar até que adormeça". Voltaire. (1694-1778). Demora, mas sempre passa. Como a vida é agora com o aroma da flor da laranjeira a adoçar... Quer dançar comigo?
O autor, Munir Zalaf, é membro da Academia Bauruense de Letras ? cadeira 11