Tribuna do Leitor

PARABÉNS, BAURU


| Tempo de leitura: 3 min

Sua fama de sem limites cada vez mais presente, basta observar os quatros pontos cardeais, vamos verificar que a densidade populacional avança de forma assustadora nos quatro pontos da cidade, somente um planejamento urbano atraves de um plano diretor atualizado será capaz de organizar a ocupação do uso do solo. Como bauruense me considero impedido de festejar essa data, pela grandeza que essa cidade já foi no passado bela, sorridente, generosa e atualmente carrancuda triste excludente assim esta nossa Bauru.

As histórias acumuladas dessa cidade merecem ser contadas neste momento, desde inicio das primeiras famílias que aqui chegaram com suas ferramentas afiadas começaram as derrubadas das matas nativas surrupiando terras da união, demarcação a perder de vista em terras devolutas, posseiros estes que se tornaram famílias afortunadas e uma elite da época, um deles Antonio Felicíssimo Pereira até as famílias leite, terras essas que futuramente seria feito o parcelamento do solo tornando-se uma vila chamada Bauru conforme registro feito na cidade de Botucatu.

Essa mesma sociedade elitista, hoje representada por seus descendentes, atualmente formam opinião através da mídia demonizando o movimento dos trabalhadores rurais que lutam pela reforma agrária. Com a chegada dos imigrantes, a história segue sua rota provocando a evasão rural produzindo o descontrole urbano. E Bauru foi a cidade da região que recebeu de braços abertos toda uma população rural que se deslocou na busca de melhor condições de vida, população essa composta por negros e mulatos,amarelos, europeus e todos fizeram dessa cidade a sua grandeza.

Essa cidade também sempre escondeu o ranço do preconceito praticado aos negros às diversões existentes na cidade. O negro era excluído de forma velada, vamos nos lembrar de algumas delas, por exemplo. Os bailes do Paulista adotavam a mesma prática, meus amigos e eu fomos vítima dessa maldade elitista, nos impediram de adentrar o recinto de diversões frequentado por jovens da nossa idade simplesmente pela cor da pele. O grau da nossa ignorância nos impediu de entender o que se passava naquele momento, mas estavamos ali diante de um preconceito racial de forma cruel. Por isso, podemos dizer que o clube Icaraí, localizado nos Altos da Bela Vista, foi o símbolo da segregação racial em nossa cidade, foi uma reação necessária naquele momento, como demonstração que estava presente o racismo na sociedade bauruense. O Clube Icaraí foi um espaço alternativo, contra a intolerancia racial e social praticado por uma sociedade hipócrita que exalava um aroma de pocilga por onde circulavam.

Nessa mesma ocasião, o sr. Edson Arantes do Nascimento (Pelé) era recepcionado no Bauru Tênis Clube por essa mesma sociedade, enquanto sua raça passava por um processo de exclusão motivada pela intolerância burguesa. Portanto, Bauru foi assim constituída e o que nos resta atualmente é uma gestão pública comprometida em resgatar esse elefante que está deitado, através da produção de políticas públicas objetivando a inclusão social com políticas de geração de renda e equipamentos disponíveis àqueles que tanto necessitam do estado na sustentabilidade de uma qualidade de vida capaz de escamotear os conflitos gerados por um sistema equivocado.

Gercio Bento - Bauruense, adotado por São Bernardo do Campo

Comentários

Comentários