Com licença do Rufino, permitam-me chamar Bauru de país e lhes afirmo que se trata de um país que sempre se preocupou com caridade. Desde os mais remotos tempos foi o primeiro lugar em todo o Estado em dar acolhida aos leprosos de outrora. E daí em diante foi sempre seguindo na direção de ajudar aos necessitados.
Em tempos longínquos de minha mocidade, fiz parte de um grupo que se intitulava "Ala moça do serviço social de Bauru", muito antes de sequer aqui se pensar em faculdade de serviço social ou mesmo outras de quaisquer espécie, como as tantas que existem hoje. Éramos jovens pertencentes à sociedade local, das quais me lembro algumas como Lalai Pompeu, as Rositas Caciola e Maringoni, Rute Lima Figueiredo, Odete Viegas e eu que era então apenas Isolina Bresolin, assessoradas por dona Semíramis Mourão de Almeida, que era a esposa do dr. Luis Carlos de Almeida, conceituado médico cirurgião da época. (Hoje ela, que foi diplomata, escritora e jornalista é a patrona da minha cadeira na ABLetras).
Nós íamos aos comerciantes locais, sempre atenciosos e receptivos aos nossos pedidos que eram feitos conforme as necessidades. Lembro-me de que uma vez, as menininhas do Educandário Anita Costa precisavam de calçados (havaianas ainda não existiam) e nós conseguimos com a Casa Pagani. Mantimentos e outras necessidades básicas para o Albergue Noturno e para os Vicentinos, por exemplo, a gente conseguia das Casas Savastano e Lusitana Miudezas como trilhas e agulhas, botões e elásticos, para remendos e consertos, davam-nos os bazares Quinhentos e quinze e a Casa dos dois mil réis; isto é apenas o pouco do que me lembro mas existe mais, muito mais, porque Bauru sempre respondeu bem aos apelos de caridade, sempre se prontificou a ajudar o próximo.
E eu volto a esse tema, por causa das notícias ultimamente veiculadas, de que as entidades assistenciais de Bauru estão entrando em crise e até em perigo de extinção, por falta de contribuição dos habitantes deste nosso "país", que agora está mais rico, tendo até milionários entre os seus habitantes. Vamos lá pessoal, arregaçarmos as mangas e vamos pedir pelos que necessitam, não vamos deixar ninguém desamparado neste nosso país outrora e sempre tão caridoso.
Isolina Bresolin Vianna