Política

Município não apresenta e nem discute plano de resíduos

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Um dia antes do final do prazo estabelecido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Bauru ainda não concluiu o plano que tem de ser apresentado por todos os municípios para a gestão dos resíduos, principalmente do lixo doméstico, sob pena de estarem impedidos de ter acesso a recursos destinados ao setor.

Os trabalhos estão sendo coordenados pelo presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Nico Mondelli. Ele garante que o documento será entregue ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) amanhã.

Acontece que a data é o último dia estabelecido pela legislação nacional para a apresentação da proposta. Sequer o documento será discutido em audiência pública prévia e a comissão foi constituída há apenas uma semana.

E o município sabe dessa responsabilidade desde agosto de 2010. Portanto, o gestor municipal teve dois anos para se preparar. Apesar disso, apenas na semana passada foi publicado decreto criando um grupo que tem como missão discutir o tema com a sociedade.

Mondelli reconhece ainda que, apenas depois de entregue ao prefeito, o plano será discutido, a partir de audiências públicas, sendo passível de alterações, o que vai à contramão de seu próprio argumento de que o plano será entregue no prazo estabelecido pela política nacional.

 

Usina de triagem

Apesar de não disponibilizar o conteúdo do plano municipal ao Jornal da Cidade, o presidente da Emdurb alega que faltam apenas ajustes no formato do documento. O conteúdo, vale ressaltar, será conhecido pela sociedade depois. Segundo Nico, por corresponder à maior produção de volume de resíduos, o lixo doméstico recebe maior atenção no plano.

O texto diz que, até 2014, antes de ser aterrado o lixo coletado nas residências passará por uma triagem em uma usina, que vai separar o que pode ser reciclado e, inicialmente, triturar o material orgânico para que o volume depositado no aterro sanitário seja reduzido em até 60%.

Nico explica que o plano apresenta diversos modelos de usinas e o custo dessas obras pode variar de R$ 2 milhões a R$ 12 milhões. “Durante dois meses e meio, fizemos um estudo sobre o lixo que é aterrado e 50% do volume poderia ser reciclado. Por isso, precisamos apostar muito em educação ambiental”, afirma.

Atualmente, o aterro sanitário de Bauru recebe 200 toneladas de lixo por dia e está sendo ampliado lateralmente, o que garante sobrevida de dois anos. Além disso, a Emdurb reivindica junto ao Estado a doação de uma área próxima ao Instituto Penal Agrícola (IPA) para a construção de um novo aterro. “Esse aterro, porém, só poderá receber rejeitos, aquilo que não tem como ser processado”, enfatiza.

 

Coleta seletiva

Para incentivar a separação do lixo, o plano aposta na conteinerização do lixo doméstico, começando com os prédios e condomínios. Trata-se da utilização de estruturas plásticas, com 1 metro cúbico de volume, para o depósito do lixo, separando o que pode e o que não pode ser reciclado. “Também vamos levar essas estruturas para os órgãos públicos. A proposta é de que elas sejam locadas, incluindo manutenção e higienização”, conta.

Nico Mondelli afirma que há também a proposta de incentivar e fortalecer a cooperativa de triagem, oferecendo a ela todo o material fruto dos grandes eventos do município, como as comemorações de aniversário da cidade.

No entanto, o presidente da Emdurb reconhece que a cooperativa não tem como dar conta de toda a demanda do lixo que deverá ser destinado a reciclagem. Por conta disso, afirma que o município deverá firmar parcerias com as 90 empresas que trabalham com reciclagem em Bauru.

 

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