O advogado Alberto Zacharias Toron, um dos mais renomados operadores do direito na área penal, concorre à presidência estadual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) nas eleições que acontecem em novembro deste ano. No dia 30 de agosto, ele estará em Bauru, onde haverá ato político em apoio à sua candidatura, de oposição.
Coordenador da campanha de Toron, o advogado Clodoaldo Pacce Filho conta que a candidatura nasceu em março, a partir da mobilização de advogados da Capital, do Interior e da Baixada Santista. Ele revela que o objetivo da chapa é fazer a entidade renascer, após ter sido “jogada às traças” na gestão de Luiz Flávio Borges D’Urso, que saiu da presidência para disputar as eleições paulistanas como candidato a vice de Celso Russomano (PP). Seu vice, Marcos da Costa, tenta a sucessão.
Segundo Clodoaldo, a OAB deixou de representar os interesses dos advogados junto ao Poder Judiciário, ao Ministério Público e ao Governo do Estado. “Nossos colegas são maltratados e não conseguem exercer suas atividades com dignidade. Perdemos até a carteira especial de aposentadoria do Instituto de Pagamentos Especiais de São Paulo [Ipesp]”.
Além disso, o coordenador da campanha de Toron afirma que existe perseguição política às subsedes da OAB que não “seguem a cartilha” do comando estadual da entidade.
Pacce Filho afirma ainda que seu candidato exigirá mais rigor nos cursos de Direito. “Muitos não têm condições de formar advogados. A OAB não pode ficar alheia a isso”, pontuou.
Orçamento
Como outros candidatos de oposição à atual direção da OAB, Toron e seu grupo defendem mudanças no controle da arrecadação dos contribuintes da OAB. A anuidade paga por cerca de 300 mil advogados é de R$ 790,00. “É uma caixa-preta. Precisamos saber para onde vai este dinheiro”, pontuou Clodoaldo.
O coordenador de campanha afirmou ainda que as subsedes precisam ter mais autonomia para que não necessitem de autorização de São Paulo para as compras mais básicas.
Alberto Zacharias Toron está em Brasília, onde defende o ex-presidente da Câmara Federal João Paulo Cunha (PT), um dos réus do mensalão. O advogado também já atuou em Bauru na defesa do ex-prefeito Antônio Izzo Filho, durante a cassação do mandato do então prefeito em agosto de 1998.
Um grupo de advogados de Bauru está se mobilizando a fim de formar uma chapa de oposição ao presidente local da entidade, Caio Augusto Silva, que está no poder há nove anos, sendo os três primeiros como vice. Evandro Dias Joaquim, Karla Castilho e Thiago Azevedo Guilherme acompanharam, ontem, a equipe de Toron, de quem têm o apoio.
Os três explicam, porém, que não têm ainda uma chapa formada. As discussões estão sendo feitas com outros advogados, como Pilli Cardoso, Luiz Henrique Martin Herreira, Célio Amaral e Jorge Moura.