Bairros

Cerca de 20 crianças e adolescentes participam de campeonato de pipas

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.

Crianças confeccionam as pipas antes de colocá-las no ar

Quatro varetas, linha, cola e papel formam a pipa. Para a rabiola, sacolas de lixo cortadas em formato de tiras. O material é simples, porém, o objetivo é grandioso. Foi realizado na manhã deste sábado (4), no Parque Vitória Régia, um campeonato de pipas com crianças e adolescentes atendidos pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti).

O projeto faz parte das ações do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) e da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes). Participaram ontem cerca de 20 crianças e adolescentes que confeccionavam as pipas com o auxílio dos educadores sociais.

Um desses garotos, de 11 anos, veio do Parque Jaraguá. Os nomes são preservados em cumprimento ao Estatuto da Criança e Adolescente. Com uma camisa do time inglês Chelsea, ele fazia uma pipa com as cores da Alemanha. Antes, porém, sua rotina não tinha nada de divertido. Ele trabalhava com malabares em um dos semáforos de Bauru. “Brincar aqui é muito mais legal”, disse, antes de sair correndo para montar a rabiola.

Apesar da denominação “campeonato” e de haver premiações para a pipa mais bonita e aquela que voar mais alto, o que se percebe é realmente um clima confraternização. Para os responsáveis, é mais que isso. É o momento em que eles voltam a ser crianças.

“Esses meninos são atendidos em situação de vulnerabilidade. Muitos trabalhavam com malabares, cuidando de carros ou em feiras. Eles são atendidos pelo projeto e desenvolvemos essas atividades aos finais de semana. Cada vez, eles escolhem o que querem fazer”, conta Juliana Prudente de Melo, assistente social do projeto.

Todo o material das pipas foi fornecido pelo projeto, assim como lanches ao fim do dia e os passes de ônibus para que eles se desloquem até o Parque Vitória Régia. “Hoje, por exemplo, demos os passes para eles virem, irem embora e ainda para voltarem na próxima semana”.

 

Inclusão social

É claro que somente levar os garotos a participar de tal atividade não os tira da situação difícil em que vivem. Porém, Juliana de Melo explica que o campeonato de pipas faz parte de um conjunto de ações. “Há uma procura nas ruas. Depois, vamos até as casas desses garotos e falamos com as famílias para dar orientações. É todo um trabalho de inclusão social”, completa.

Confeccionando as pipas, nenhum dos garotos quer falar sobre o trabalho nas ruas. Porém, realmente não parece ser o momento de eles se lembrarem disso. Enquanto unem varetas e papel, a risada tímida confirma que o objetivo está sendo atendido.

“Eu tenho um primeiro contato com eles nas ruas. Sou eu quem conversa primeiro com eles. Vejo que tudo muda. Até a fisionomia deles é diferente lá e aqui. Nessas atividades, eles são realmente crianças. É esse nosso objetivo. Queremos incluí-los na sociedade e dar a oportunidade de serem alguém”, conclui o educador social José Antônio Félix e Silva.


Sem cerol     

Sempre que se fala em pipas, logo surge o assunto do perigo das linhas com cerol. No campeonato realizado ontem no Parque Vitória Régia, além do compromisso social contra o trabalho infantil, este tema também esteve presente sob a forma de orientações.

“Aqui, não permitimos o uso de cerol de nenhuma maneira. Nós falamos muito sobre isso com eles. Explicamos os perigos do uso da linha com cerol. Um exemplo que usamos bastante é o do risco que o cortante traz aos motociclistas. É uma forma de cumprir com esta questão de orientação também”, aponta a assistente social Juliana Prudente de Melo.

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