Política

Gurgel foca acusação em Dirceu e Valério; pede prisão

Reuters
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O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, foi a peça central do segundo dia do julgamento do processo chamado de mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), e pediu a condenação de 36 réus e a prisão imediata dos envolvidos após o julgamento.

             

Gurgel mirou o ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, o petista José Dirceu, descrito por ele como líder do "grupo criminoso", e o publicitário Marcos Valério, citado como "elo" e principal operador do suposto esquema de desvio de recursos e repasse para parlamentares em troca de apoio político.

             

O procurador falou por 4 horas e 38 minutos e detalhou a atuação dos participantes no suposto esquema e como ele funcionaria. No final, citou tentativas de intimidação e constrangimento.

             

Citou Dirceu, a quem tudo precisaria ser aprovado, mas reconheceu que, como todo "chefe de quadrilha", o ex-ministro não deixou rastros, mas disse haver prova "contundente" da atuação dele. Após a sessão, citou os envolvidos como uma "quadrilha extremamente arrogante".

             

"José Dirceu foi a principal figura de tudo o que apuramos. Foi o mentor do grupo... Nada, absolutamente nada, acontecia sem a prévia aprovação de Dirceu."

             

"(Mas) em crimes como o que vimos, em muitas situações, se passava entre quatro paredes, mas não em quatro paredes comuns, em quatro paredes do palácio presidencial", disse ele.

             

A partir da próxima semana, os advogados de defesa dos réus começam a apresentar suas teses ao plenário do STF.

             

O suposto mensalão veio à tona em 2005, durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e seria um esquema de compra de apoio parlamentar com recursos públicos.

             

"Foi, sem dúvida, o mais atrevido e escandaloso caso de corrupção de desvio de dinheiro público flagrado no Brasil', disse o procurador.

             

"Maculou-se gravemente a República, instituiu-se à custa do desvio de recursos públicos uma sofisticada organização criminosa, um sistema de enorme movimentação financeira, à margem da legalidade com o objetivo espúrio de comprar os votos de parlamentares."

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