Vivo em Bauru desde 1998 e desde então adquiri o hábito de iniciar meu dia após a leitura do JC. Morando este ano nos USA, mantive o hábito e leio o JC pela internet diariamente. Fiquei verdadeiramente atônito com as notícias a respeito das duas pessoas que morreram no PSC à espera de vaga. A morte da garota Drielly choca um pouco mais, mas não nos esqueçamos do Sr. Antônio, pois todas as vidas, independentemente da idade, são igualmente importantes.
Mais atônito ainda fiquei quando li o texto de João Jabbour publicado JC de 28 de julho de 2012, na página 10, que incutia uma parcela de culpa a todos nós cidadãos bauruenses. Agora, após acompanhar as reportagens dos últimos dias publicadas no JC, atrevo-me a dizer: João, você estava correto!
As mortes no PSC são tragédias anunciadas! Classicamente o HB era o hospital de retaguarda do PSC e sua crise agravou-se em 2009 em decorrência da Operação Odontoma (JC de 28 de julho de 2012 na página 10). Por que razão, só agora, vereadores, prefeitos, deputados, secretários, diretores e governadores aparecem diariamente nas páginas do JC com discussões e fórmulas para resolver o grave problema da saúde pública bauruense? Precisou passar 3 anos e duas pessoas morrerem na fila de espera por vaga para que os políticos percebessem o problema?
Não é possível que eles não perceberam que, com esse caos instalado, mais cedo ou mais tarde mortes iam acontecer. Por que importaram-se só agora? E o povo, por que tem culpa? Tem culpa por que seu voto colocou esses governantes em seus postos, supostamente para zelar do bem estar da população.
Gostaria de lembrar que saúde é um direito do cidadão e um dever do estado (certo ou errado, está na Constituição e tem que ser cumprido) e de solidarizar-me com o Sr. Joel de Carvalho (JC, Tribuna do Leitor, 29 de julho de 2012), que sugeriu responsabilização criminal a todos os envolvidos (inclusive políticos) na desatenção aos direitos básicos dos cidadãos.
Será que o ocorrido no PSC poderia ser visto como homicídio doloso, pois assume-se que mortes podem ocorrer quando vê-se o caos instalado e não se faz nada (de verdade) para resolver? E o povo? Se tem responsabilidade, teria que ser punido também? Parece que já está sendo punido com a pena de morte! Em tempo: parabéns, Marcela Mangili da Silva, pelo excelente texto publicado no JC, tribuna do leitor de 2 de agosto de 2012.
Eduardo Gonçales