Perdoe o trocadilho, mas demorou muito para a Anatel perceber que os clientes de algumas das maiores operadoras de telefonia móvel do Brasil estavam sendo enganados. As vendas das operadoras Oi, Claro e Tim foram interrompidas a partir das reclamações crescentes de consumidores à Anatel. O maior problema reportado é a interrupção de chamadas em curso. Do que adiantam promoções fabulosas, onde pagamos poucos centavos por uma ligação se temos que efetuá-la diversas vezes?
O presidente da Anatel, João Rezende, admite que a agência é favorável a planos agressivos, mas o aumento do número de clientes tem que acompanhar os investimentos. E isso, nitidamente, não está acontecendo. Diante do caos (que poderia ter sido evitado) a Anatel informou que vai cobrar melhorias em quatro áreas: qualidade de rede, completamento de chamada, fim da interrupção nas ligações e melhora no atendimento aos clientes, os chamados call centers (onde somos tratados como imbecis).
Doravante, como é bom se sentir acolhido. Uma medida extrema como esta dá a sensação de amparo, proteção. Entretanto, não há nada de especial nisso, afinal, fiscalizar é o trabalho de qualquer agência reguladora do governo. O que surpreendeu foi a decisão do governo, diante do desespero das operadoras e da possibilidade de "acertos" que poderiam ter sido feitos às escuras. Venceu o bom senso.
Alexandre Pittoli