Damasco - O ditador da Síria, Bashar Assad, afirmou que o país está decidido a esmagar a rebelião iniciada há 17 meses e expurgar os terroristas, de acordo com o emissário iraniano Said Jalili, que o visitou ontem. As declarações foram publicadas pela agência de noticias Sana.
“O povo sírio e seu governo estão decididos a expurgar os terroristas do país e combatê-los sem descanso”, afirmou o enviado do aiatolá Ali Khamenei.
“Síria está avançando no diálogo nacional e é capaz, graças à vontade de seu povo, de quebrar os planos estrangeiros que tem como objetivo o eixo de resistência”.
O encontro entre os dois foi filmado pela televisão pública síria, apesar de que não houve gravação da conversa. Esta foi a primeira aparição de Assad desde o dia 22, quatro dias depois do atentado reivindicado por rebeldes em que quatro membros do alto escalão do regime foram mortos.
Jalili disse que a Síria é um parceiro vital de Teerã na região, especialmente na oposição a Israel, e que não permitirá que esta aliança seja quebrada. “O Irã não permitirá que nenhum dos eixos de resistência, e consideramos a Síria parte fundamental nesta aliança, se quebre de forma alguma”.
O emissário iraniano chegou às 12h à capital Damasco (6h em Brasília) e foi logo recebido pelo ditador, de acordo com a agência oficial Sana. As imagens da TV estatal mostram a reunião entre Jalili e Assad. Além de atuar com representante da autoridade máxima no país, Jalili é o negociador-chefe da disputa de Teerã com as potências ocidentais a respeito do programa nuclear. Na estrutura de poder do Irã, Khamenei responde pela política externa do país.
Solução
Antes da chegada à capital síria, Jalili detalhou em Beirute que era necessário encontrar uma solução para o conflito na Síria “seguindo as regras democratas, não enviando armas e sem derramamento de sangue”.
O Irã acusa os EUA, a Arábia Saudita, o Qatar e a Turquia de ajudar os rebeldes a derrubar o regime de Damasco. Os insurgentes e os EUA, por sua vez, acusam o Irã de apoiar militarmente Assad.
Anteontem, Teerã convocou uma reunião de chanceleres de países da região e de outras partes do mundo que considera “influentes” em Teerã para discutir sobre a crise política na Síria. O encontro deveria acontecer hoje, de acordo com a agência de notícias Irna.
O meio oficial informou que a reunião será consultiva e que 12 governos confirmaram presença, sem revelar quais, e se dedicará a buscar soluções para o conflito entre o governo do ditador Bashar Assad e a oposição, que completou 17 meses neste mês.
Combates
Ontem os confrontos prosseguiam no centro de Aleppo, segundo informações do OSDH, ONG baseada em Londres que recolhe suas informações de ativistas e moradores.
Os ativistas afirmaram que o exército utilizava helicópteros e bombardeava o bairro de Hanano (leste da cidade).
Hillary adverte sobre entrada de terroristas
Washington - A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, advertiu ontem sobre a entrada de “enviados ou combatentes terroristas” na Síria no conflito entre a oposição e o governo de Bashar Assad, que completa 17 meses em agosto.
Em discurso em Pretória, na África do Sul, a representante cobrou sinais para evitar que os enfrentamentos se transformem em um conflito sectário. Ela não fez referência a algum país ou grupo em particular quando comentou sobre os terroristas. “Nós temos que enviar sinais bem claros sobre evitar uma guerra sectária. Estes que tentam explodir a situação mandando enviados ou combatentes terroristas precisam perceber que não serão tolerados.”
O país é dividido entre sunitas, que representam a maioria dos sírios e são a base do movimento rebelde, e alauitas, grupo do regime de Assad. A Síria ainda contém população cristã copta e curdos.