Éder Azevedo |
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Após quatro dias do acidente que tirou a vida de Jaqueline Lima Belo da Silva, de 11 anos, o acusado de atropelar a menina se apresentou à polícia. Autônomo de 42 anos, Sadi Santos de Ouriques, compareceu ao 1º Distrito Policial (DP) no final da manhã de ontem acompanhado por seu advogado.
Em depoimento, o motorista alegou que não estaria no acostamento no momento do acidente e que teria parado e descido do carro para prestar socorro à família, mas acabou fugindo por “medo” de ser linchado por populares.
O depoimento de Ouriques demorou mais de duas horas. O inquérito sobre o caso foi instaurado como homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e o acusado, que saiu do 1ºDP dirigindo a picape que atropelou a garota, responderá em liberdade.
Conforme explica o delegado José Dornelles Costa, caso o acusado não se apresentasse, ainda ontem seria expedido mandado de prisão temporária.
Acompanhado de seu advogado, Luiz Henrique Mitsunaga, Ouriques se defendeu dizendo que acabou saindo do local do acidente por pressão de populares.
“Ele tinha acabado de passar pelo radar quando sentiu a batida. Parou o carro, observou a criança, mas foi ameaçado de morte por pessoas que estavam no local, por isso ele foi embora”, afirma o advogado do acusado, Luiz Henrique Mitsunaga, ressaltando que seu cliente não teria tentado efetuar ultrapassagens na via.
Ouriques trabalharia como autônomo no município de Piratininga e estaria retornando para casa no momento do acidente.
Após o indiciamento do acusado, o próximo passo no inquérito, segundo explica o delegado, é apurar a versão da família da vítima, que deverá ser ouvida no 1º DP nos próximos dias.
“O indiciado alegou que foi ameaçado e que não teria invadido o acostamento. Já as informações fornecidas pela família no boletim de ocorrência dão conta de que o acidente teria ocorrido justo no acostamento”, ressalta Costa.
O autônomo não possui antecedentes criminais e reside em moradia fixa, fatores que colaboram para que ele responda ao processo em liberdade.
Após se apresentar à polícia, o motorista saiu do 1º DP dirigindo a picape que atropelou Jaqueline. A roda estourada na caçamba do veículo e os danos na parte frontal, evidenciavam ainda as marcas da tragédia.
Questionado sobre a demora na apresentação de seu cliente, quatro dias após a morte da garota, Mitsunaga informou que fora chamado para atuar na defesa do caso somente por volta das 14h desta terça-feira.
“Ele estava em estado de choque e estava aguardando uma orientação jurídica”, fecha questão o advogado do acusado. Se condenado, Ouriques poderá pegar até 8 anos de prisão, somado com qualificadoras como omissão de socorro, fuga do local do acidente e lesão ao padrasto da garota.
Família fica inconformada por condutor responder em liberdade
Alívio e indignação. Em menos de 24 horas, a família de Jaqueline Lima Belo da Silva vivenciou sentimentos tão contrastantes. O primeiro motivado pela notícia de que a Polícia Civil havia descoberto a identidade do motorista que atropelou a garota. Já o segundo por ele responder ao inquérito em liberdade.
“Estávamos com muito medo de que a polícia não conseguisse descobrir quem era o homem que a matou. Felizmente, eles conseguiram”, disse Roberto Aparecido Correa de Lima, 35 anos, padrasto de Jaqueline.
Ele, porém, diz que todos estão revoltados com o fato de o motorista ter se apresentado e ter sido liberado ainda ontem. “Ele tinha que estar preso. Tinha que começar a pagar desde já pelo que nos fez. Ele não só matou a Jaqueline. Ele estragou toda nossa família”, afirma Roberto de Lima, complementando ainda que a “justiça dos homens é muito lenta”.
Ele ainda diz que, se possível, não queria encontrar pessoalmente o condutor do carro que atingiu sua enteada. “Eu sei que vou ter que ver esse homem. Se fosse para eu escolher, nunca queria olhar na cara dele. Nem sei o que sinto em relação a essa pessoa. Passa tanta coisa pela cabeça, que não dá nem para pensar”, conclui o padrasto, emocionado.
Histórico
Jaqueline Lima Belo da Silva caminhava com o padrasto, irmãos e a mãe na noite do último sábado pelo quilômetro 5 da rodovia Elias Miguel Maluf, em Bauru, quando foi atropelada. A menina sofreu ferimentos na cabeça e morreu no local do acidente (trecho da Bauru-Piratininga).
O motorista fugiu sem prestar socorro, mas por meio de investigação, policiais do departamento de inteligência da Polícia Civil do 1º DP conseguiram chegar ao veículo, uma picape Fiat/Strada cor prata. A informação foi conseguida com frentista de um posto na avenida Comendador José da Silva Martha, que contou ter visto a picape com a roda estourada passando por ali na noite de sábado.
Ao todo mais de 50 veículos foram investigados pelo departamento de inteligência até que o paradeiro correto fosse descoberto.
Por meio de mandado de busca e apreensão, o veículo do atropelamento foi encontrado na garagem de uma residência no Jardim Terra Branca.
As letras da placa do carro batiam com as identificadas pela equipe. Os danos na parte frontal e na roda do carro também evidenciavam que aquele seria o veículo certo.
Na ocasião, o acusado não foi encontrado na casa, mas informalmente a família do autônomo confirmou que ele havia atropelado uma menina.
O veículo foi encaminhado para o 1º DP e a perícia técnica confirmou que os estilhaços do carro recolhidos no acostamento da pista no dia do acidente se encaixavam no farol danificado.
