Amanhã, Bauru recebe um caminhão com muitas cifras. E não se trata de um carro-forte. É o caminhão do Impostômetro (leia mais abaixo), que traz estampado quanto os bauruenses já desembolsaram em cargas tributárias. De janeiro até hoje, foram R$ 453 milhões, quantia que supera em R$ 51 milhões o mesmo período do ano passado.
O Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) foi lançado em 20 de abril de 2005 e considera todos os valores arrecadados pelas três esferas de governo. O levantamento inclui não só os impostos, mas também taxas e contribuições como multas, juros e correção monetária.
Os números do indicador são impressionantes. Para se ter uma ideia, cada bauruense já pagou, em 2012, R$ 1,3 mil aos cofres públicos. Juntando toda a população, a carga tributária corresponde a R$ 23,00 por segundo.
O Impostômetro mostra ainda que arrecadação deste ano está bem superior à de 2011. No mesmo período do ano passado, o Impostômetro marcava que os impostos pagos em Bauru foram R$ 401 milhões.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), o economista Reinaldo Cafeo, o aumento da arrecadação se deve a múltiplos fatores. “Sempre que a economia se movimenta mais, a arrecadação é maior. Mas, neste caso, há o próprio aumento do valor dos impostos e o uso da tecnologia. Ou seja, o Estado se aparelhou melhor para cobrar e fiscalizar tributos”, aponta.
Ele confirma que o valor é alto, porém, aponta que o pior problema é a população pagar e não receber o retorno de maneira proporcional. “O brasileiro, inclusive o bauruense, não aguenta mais tantos impostos. O mais complicado é ver que o dinheiro se perde na própria ‘máquina’. É como se o fim do poder público fosse ele mesmo”.
Entre os caminhos da perda dos impostos, o economista expõe o grande número de cargos de comissão e, principalmente, a corrupção. Desse modo, áreas como segurança, saúde e educação sofrem.
“Os sintomas de que o dinheiro não está sendo aplicado como devia são nítidos. Entre eles, vemos a grande procura por segurança particular, o aumento dos planos privados de saúde e o tanto de pais que colocam seus filhos em escolas particulares”, exemplifica o economista.
Invisíveis
Entre todos os tributos pagos pela população, Reinaldo Cafeo afirma que os mais danosos são aqueles “invisíveis”. “Os impostos embutidos nas mercadorias, os chamados indiretos, são os que mais afetam o bolso. Eles atingem todo mundo da mesma maneira. Ou seja, quando uma pessoa com bastante dinheiro compra algo, ela paga o mesmo tanto em impostos que outra pessoa sem tanto dinheiro”, explica.
Entre os impostos indiretos mais danosos, o economista aponta exatamente o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Em relação a uma diminuição nas cargas tributárias futuras, o economista é pessimista, uma vez que o próprio corpo do Estado está inflado. Como solução, entretanto, ele enxerga um deslocamento estilo “Robin Hood”.
“Hoje, temos 64 taxas de contribuição. Seria necessário simplificar a apenas três: municipal, estadual e federal. Isso acabaria com muita burocracia. Seria preciso ainda remapear. Ou seja, tributar mais as grandes fortunas e patrimônios e aliviar as menores”, completa o presidente da Acib, Reinaldo Cafeo.
Serviço
Quem quiser verificar o tanto que já desembolsou em prol dos cofres públicos pode acessar o site www.impostometro.com.br.
Dinheiro ‘mordido’ por impostos daria para...
Com a quantia de R$ 453 milhões arrecadada em Bauru este ano daria para construir 32.695 salas de aula e contratar 33.823 professores de ensino fundamental por ano.
Na segurança, o montante corresponde à construção de 9.400 postos policiais e à contratação de 28.024 policiais anualmente.
Em relação à parte da saúde, o dinheiro daria para comprar 5.605 ambulâncias equipadas, construir 1.567 postos de saúde e fornecer medicamentos para toda a população brasileira por 175 meses.
Segundo o Impostômetro, ainda seria possível construir 4.904 quilômetros de rede de esgoto e 12.891 casas populares de 40 metros quadrados.
Caminhão do Impostômetro
A partir das 9h de amanhã, na praça Rui Barbosa, Bauru receberá o caminhão que leva o Impostômetro e o Feirão do Imposto. No veículo, estarão expostos vários produtos com a indicação dos impostos embutidos em seus preços.
Por volta das 14h, o caminhão voltará a circular pelas ruas e às 18h seguirá para Presidente Prudente. Até o dia 24, serão 11 cidades paulistas percorridas.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), o economista Reinaldo Cafeo, acredita que a iniciativa pode conscientizar a população em relação ao alto valor da carga tributária. “A presença do caminhão tem o objetivo de provocar o debate. A ideia é que a população se indigne e se movimente contra os altos impostos”.
E até o fim do ano?
A arrecadação não para de crescer. Levando em conta os números atuais, as projeções do Impostômetro apontam que, até o fim do ano, o recolhimento da carga tributária em Bauru deve atingir a marca de R$ 745 milhões.
O valor supera em R$ 79 milhões o montante arrecadado no ano passado, quando o total de impostos na cidade ficou em R$ 666 milhões.