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A vez do Interior de São Paulo

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Quando se apurava o desempenho do Produto Interno Bruto brasileiro, ou seja, a geração interna de riqueza, a constatação é que o Interior do Estado de São Paulo se apresentava como o segundo mercado em nível Brasil, perdendo somente para a grande São Paulo. Este quadro mudou. Agora o Interior de São Paulo é o maior mercado nacional. Isso tem algumas explicações. Primeiramente o próprio esgotamento no aporte de investimentos mais próximo à capital do Estado. Seria semelhante aos países ricos em que o crescimento passa a ser marginal. Além deste aspecto, o Interior de São Paulo ficou mais atrativo. Cidades que são pólos em suas regiões se tornaram mais robustas. A população cresceu. A renda cresceu. As empresas buscaram investir em logística, em custos menores com seu pessoal, e também priorizaram a qualidade de vida. Mercados incipientes passaram a observar demanda em escala e seria natural que os investimentos fossem canalizados para estas regiões.

Campinas, Ribeirão Preto, Sorocaba, São José do Rio Preto, Piracicaba, Presidente Prudente e Bauru são exemplos de cidades pólos em crescimento. Quando se observa a chegada de franquias, de novos shoppings, com ampliação da rede hoteleira, entre outros investimentos, fica evidente que a riqueza será gerada mais intensamente. Se o setor privado tem sua dinâmica, por outro lado o setor público se depara com desafios. Infelizmente sempre estão a reboque desta dinâmica, contudo, é possível que haja convergência.

Isso passa necessariamente por investimentos em infraestrutura nos municípios. Enganam-se aqueles que imaginam que o setor privado quer somente incentivos fiscais, cessão de áreas, práticas comuns para atração de investimentos produtivos. Na prática quem mais. Querem escolas de qualidade. Creches para abrir os filhos de seus colaboradores. Transporte coletivo adequado a esta realidade. Querem um trânsito racional. Querem soluções regionais, compartilhadas. Não é possível pensar em tratamento de esgoto, usinas de lixo, entre outros, sem que estas questões passem necessariamente pelos municípios que compõem a região. Querem qualidade de vida aqueles que estão prestando serviços a suas organizações.

Observem que não é pedir muito. Seria, na verdade, o mínimo para que o crescimento dos municípios se dê sustentadamente. Se de um lado o Interior de São Paulo é o primeiro mercado do país em geração de riquezas, por outro lado é preciso que a infraestrutura das cidades envolvidas estejam em sintonia com as necessidades do setor privado. Não basta a liderança, é preciso em última instância, como colocado, garantir qualidade de vida a população. É preciso saber aonde se quer chegar para que o caminho trilhado seja seguro.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib, diretor do Corecon e articulista do JC

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