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Educação, única saída contra as drogas

Joaquim Eliseo Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

O mesmo JC que de algum tempo vinha publicando edições especiais e magníficas sobre a efeméride que aconteceu no dia 1º quando o povo bauruense, sem exceção, engalanado comemorou o 116° aniversário da fundação de Bauru, trouxe na última edição do dia 2, já passada a euforia, notícia altamente preocupante que talvez tenha passado despercebida por muitos leitores, ou seja, a de que no Brasil 1,5 milhão de pessoas fumam maconha todos os dias. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgou recentemente dados oficiais do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), concluídos no mês de março, de que 7% da população adulta, o equivalente a 8 milhões de pessoas, já experimentaram a substância.

Ainda o referido levantamento mostrou o índice alarmante de que 62% das pessoas que experimentaram tinham menos de 18 anos quando fumaram pela primeira vez, fato que nos leva a um questionamento, será que ficou na primeira vez, ou houve uma segunda, terceira e sucessivamente outras e incontáveis vezes? É bem provável e quase certo que sim pois abriu-se a porta para o vício, ao uso de outras drogas e à dependência em que, infelizmente, eles falam mais alto do que a vontade e o arbítrio. Quando a pessoa não é mais a mesma. Quando aquele filho que era tão amoroso passa a agredir o pai e a mãe, os avós idosos, para conseguir dinheiro a fim de alimentar o seu vício. Quando aquele bom aluno torna-se alienado em classe e agride o professor, destrói o que existe na sala e que no recesso da escola, invade-a com más companhias e colegas de infortúnio destruindo e furtando para sua negociação objetivando dinheiro para a compra de drogas, antes maconha, hoje, outras, mais prazerosas. A par das tristes notícias causadas pelo uso das drogas e álcool vemos o trabalho incessante e eficiente desenvolvido pela polícia como também por outros órgãos na apreensão de toneladas de drogas em que os traficantes se servem das mais criativas formas. Ressalte-se, trabalho eficiente das autoridades policiais mas não eficaz porque não erradica o mal.

Paralelamente outras medidas como a discriminação da maconha e a oficialização do seu fornecimento como pretende o Uruguai estão nos planos para o combate às drogas ou minimização dos seus terríveis efeitos e, no entanto e infelizmente elas continuam avassalando os usuários e principalmente nossa juventude, da qual deverão sair os cidadãos e dirigentes da sociedade no futuro. Entendo que o sucesso do combate às drogas não está na pressão ou opressão externa que se consiga contra os traficantes mas sim na conscientização, no arbítrio e na vontade da pessoa, futura vítima ou usuário, e que somente a educação poderá conseguir. A pessoa deixará de se drogar quando tiver consciência do mal e do inferno em que se transformará sua vida, com um difícil, traumatizante ou impossível retorno ao ponto de partida, de onde iniciou.

Quando entender que dificilmente voltará a ser o que era ou o que foi. E este estado de consciência somente será conseguido através da educação que deverá ser iniciada no seio da família, continuar na escola, na vizinhança, pelas instituições afins e, principalmente pela mídia e faceboock, a comunicação atual dos jovens. A droga proporciona uma felicidade enganosa! Defendo a criação ou institucionalização pelos poderes públicos das "famílias-polo", principalmente entre os bairros de famílias menos esclarecidas e carentes. Mas, enfim, para esta estrutura é fundamental o dinheiro, recurso que falta à educação. Que sempre faltou e não se sabe até quando faltará! Afinal, para muitos dirigentes e governantes há coisas muito mais importantes do que a educação. Mas não nos enganemos, pois a criança, o jovem e o adulto somente deixarão de se drogar quando, com firmeza afirmarem não! Não entro nessa!

O autor, Joaquim Eliseo Mendes, é professor, membro efetivo da ABL, cadeira 29

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