Tribuna do Leitor

Maria Isabel de Jesus Costa Canellas


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Ao lançar mão da Tribuna do Leitor para uma reverência à professora Maria Isabel, faço-o não como um lamento; faço-o como um ato de fé. "O ato de fé não é um salto da escuridão para a luz. É uma afirmação de que a luz existe para além da escuridão". Um ato de fé na misericórdia de Deus que, antes mesmo que ela houvesse nascido, a havia marcado como uma mulher de fé: no amor-entrega, no amor compartilhado, no amor aos seus filhos, no amor aos seus alunos, no amor à vida e a tudo que ela possui de belo: a arte, a literatura, o Direito, uma mulher corajosa, porque inquebrantável nos seus princípios, intransigente nos seus propósitos como mestra que era, incansável na busca da justiça, em suas múltiplas faces; uma mulher leal. Fiel às suas promessas, fiel às suas responsabilidades.

Ela foi minha aluna dos 11 aos 15 anos. Ali já se destacava entre as colegas por sua inteligência privilegiada, por sua vivacidade intensa. Impossível, diria Cecília Meirelles, permanecer inerte perto dela, pois o seu entorno assemelhava-se ao burburinho próprio das borboletas e pássaros. Ela foi minha colega. Docente íntegra, pertencia àquela categoria de professores que jamais entrava numa sala de aula sem preparar em profundidade o conteúdo do dia. Fosse esse conteúdo de Literatura Americana, fosse de Direito Civil. Daquela categoria de professores aos quais não bastava que o aluno ficasse quieto, ao contrário, exigia a participação que era expressão da apreensão do conhecimento. Suas aulas eram apaixonantes porque ela transmitia com paixão o conhecimento.

Ela se foi de nossas vistas. Sua história de vida e a presença de seus descendentes hão de garantir-lhe a eternidade. No panteão dos bons, sua figura séria, reservada, altiva, nos aponta para a vertente que lhe era cara: o bem, a ordem e a justiça. Aos seus filhos, caberá acolher seus próprios filhos e banhá-los de esperança e de fé. Afinal,

"(....) renova-se a esperança

Nova aurora a cada dia
E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê flor e fruto".

Maria Antonia Pires de Carvalho Figueiredo - Velha Mestra

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