Geral

Em assembleia, funcionários recusam reajuste oferecido pelos Correios

Da redação JCNet
| Tempo de leitura: 3 min

O aumento de 3% no salário dos trabalhadores dos Correios, oferecido pela Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) na semana passada, foi votado e rejeitado em assembleia nesta quinta-feira (9), realizada pelo Sindecteb (Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos de Bauru e Região).

O encontro ocorreu em Bauru com a participação maciça de 100 sindicalizados. O presidente José Aparecido Gimenes Gandara defende um reajuste real, acima do índice inflacionário, e não descarta a possibilidade da categoria paralisar as atividades. "Os 3% oferecidos chegam a ser uma ofensa. Por isso, na semana que vem, estamos voltando à mesa de negociação em Brasília. A ECT não nos ofereceu nem a reposição inflacionária do último ano. Não podemos e não vamos aceitar isso", ressalta. A categoria acumula desde o início da década de 90 perdas salariais de 47%.

A campanha salarial 2012 tem como bandeira principal a reivindicação de aumento real do salário dos funcionários. Isso significa que o valor proposto pelo Sindecteb é superior ao percentual da inflação do período. Esta é uma tentativa de amenizar as perdas que a categoria acumulou ao longo dos últimos anos.

A lista de exigências também contempla assuntos, como maior transparência na aplicação do SAP (Sistema de Avaliação de Produtividade), PLR linear, contratação de mais funcionários pela Empresa, garantia da não privatização da ECT e o estabelecimento do período da manhã para a entrega de correspondências, em virtude do forte calor e da possibilidade de doenças de pele que os carteiros ficam sujeitos.

Em nota, sobre a possível rejeição dos trabalhadores sobre a proposta de repassar um aumento de 3% ao salário, a direção dos Correios enviou comunicado à Redação do JCNet onde esclarece sua proposta. Se os Correios contemplassem os principais itens econômicos das pautas de reivindicações dos Sindicatos Unificados (São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins e Bauru) e da Fentect, a folha de pagamento da empresa teria um acréscimo que variaria entre R$ 2,9 e R$ 25 bilhões/ano, respectivamente, levando a empresa à insolvência financeira.

Segundo a nota, os impactos foram apresentados às entidades sindicais no último dia 1º pela comissão de negociação da empresa em mais uma etapa do processo de acordo coletivo 2012/2013. Em 2011, a receita bruta da ECT totalizou R$ 14,6 bilhões, sendo R$ 8,4 bilhões para folha de pessoal. Ou seja, 58% da receita total. A estimativa de receita para este ano é praticamente a mesma de 2011, de R$ 15 bilhões.

Pelas propostas reivindicadas pelo comando da Fentect - reajuste de 43,7%, elevação do piso salarial para R$ 2,5 mil, concessão de aumento linear de R$ 200,00, sete steps, entre outros - a folha de pagamento saltaria para R$ 33,4 bilhões. Ou seja, 229% da receita total da empresa. “Em relação às propostas dos Sindicatos Unificados (São Paulo Metropolitana, Rio de Janeiro, Bauru e Tocantins) - reposição da inflação do período, aumento linear no valor de R$ 200,00, quatro steps, entre outros - a folha de pagamento pularia para R$ 11,3 bilhões, que representaria 77% da receita total da empresa.”

Segundo a direção da empresa, nos encontros do dia 1º, também foi demonstrado o atual cenário econômico financeiro da ECT. “De janeiro a junho deste ano, a despesa com pessoal cresceu 19,2%, enquanto a receita de vendas cresceu apenas 5,1%.  Se considerarmos as luvas do Banco Postal, este índice sobe para 8,8%, ainda assim abaixo do crescimento das despesas com pessoal. No acumulado dos últimos quatro anos, a despesa com pessoal cresceu 54,2%, para um crescimento da receita de vendas de 37%.”

Greve de 2011

No dia 14 de setembro de 2011 foi deflagrada umas das maiores e mais abrangentes greves da história dos Correios. O Sindecteb era um dos 35 sindicatos que aderiram ao movimento por melhores salários e condições de trabalho.

 A paralisação se estendeu por 28 dias e os funcionários só retornaram às atividades após decisão no TST (Tribunal Superior do Trabalho), no dia 13 de outubro. O reajuste concedido à categoria foi de 6,87%, além de aumento real de R$ 80,00.

Em Bauru, o movimento teve adesão de 40% dos funcionários da área operacional, como carteiros e operadores de triagem.

Comentários

Comentários