Diogo Silva, 30 anos, que chegou à semifinal da categoria até 68 kg do taekwondo ontem e perdeu a disputa pela medalha de bronze, utilizou o palanque para dizer que esporte não é uma responsabilidade apenas do COB e das confederações brasileiras de cada modalidade.
“Se a gente for pensar na história do nosso País, na história do esporte, a gente percebe que tem muito o que mudar”, argumentou o lutador. “O esporte não trabalha sozinho, trabalha com educação, com escolas e universidades. Essa é uma questão do governo federal”, afirmou.
O taekwondo é uma das cinco modalidades beneficiadas pela Petrobras via Lei de Incentivo Fiscal por meio da ONG Passe de Mágica da ex-jogadora de basquete Paula. O lutador recebe verba do programa Bolsa-Atleta, do Ministério do Esporte.
Diogo comparou a estrutura do Irã, cujo representante Mohammad Bagheri Motamed o eliminou na semifinal, à oferecida a grandes astros, como Michael Phelps e Kobe Bryant. E acrescentou que as condições propiciadas a ele foram típicas de um atleta de base. “Eu, um simples operário, lutei com o Neymar deles”.
Por duas vezes, na semifinal e na disputa pelo bronze, contra o americano Terrence Jennings, o brasileiro conseguiu adiar a derrota com golpes nos segundos finais, mas acabou perdendo.
“Como volto sem medalha, não sei se conseguirei aguentar o que tive de aguentar para chegar até aqui”, concluiu Diogo.
Na disputa feminina, Natália Falavigna, bronze em Pequim e ex-campeã mundial, inicia na categoria acima de 67 kg às 5h30 de amanhã.