Política

Sem cirurgia, homem perde visão

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

“Cheguei praticamente cego do olho esquerdo e já não consigo mais enxergar com o direito”. Este é o relato de Osvalter Cabral Janeiro, 63 anos, que aguarda, desde maio, por uma cirurgia em razão do descolamento de retina, doença oftalmológica grave, que demanda rapidez no tratamento para evitar, justamente, o que está acontecendo com o paciente.

O procedimento já foi solicitado pela médica que atendia Osvalter no Hospital Estadual (HE), onde a cirurgia deveria ser realizada, mas, até agora, não há sequer uma data prevista para isso.

Mas as dificuldades começaram antes disso. Para conseguir que fosse atendido no HE, que recebe esse tipo de diagnóstico, o paciente precisou recorrer à Justiça, meio pelo qual conseguiu o direito de passar por uma consulta na unidade. “No atendimento básico, fizeram o encaminhamento para lá, mas o pedido ficou engavetado. Só depois, consegui passar pelo AME [Ambulatório Médico de Especialidades] e, de lá, fui para o hospital”, conta Osvalter.

Os problemas na vista esquerda começaram em agosto do ano passado, mas só em maio ele conseguiu ultrapassar as portas do HE. A partir disso, teve início uma longa e agonizante jornada.

Com uma das vistas totalmente comprometida, Osvalter foi submetido a tratamento a laser no olho direito. Os procedimentos foram realizados no HE até o dia 20 de junho deste ano, quando a médica avisou que suspenderia as sessões e marcou uma consulta de retorno para o dia 24 de outubro. “Ela disse que, até lá, já deveria sair alguma data para a cirurgia”, lembra.

O paciente, no entanto, voltou a procurar o hospital na semana passada em razão do agravamento da situação de sua vista direita, até então, em condições bem menores. “Praticamente não consigo enxergar mais”, contou à reportagem, ao justificar porque não poderia informar seu número de protocolo no atendimento do HE.

O único retorno obtido por Osvalter, porém, foi de que a consulta então agendada para outubro havia sido adiada para o dia 27 de dezembro. “Estou perdendo a visão. Imagina como eu vou estar até lá”, questionou, preocupado.

 

Solução?

A assessoria de imprensa do Hospital Estadual informou que recebeu, na última terça-feira, reclamação sobre o caso de Osvalter no Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU). De acordo com o HE, a médica que atendia o paciente está em licença.

O órgão disse que Osvalter será atendido por outro especialista e uma nova consulta será reagendada, provavelmente para este mês, a fim de dar seguimento ao tratamento que incluiu o procedimento cirúrgico.

O HE alegou, porém, que todos os procedimentos na tentativa de recuperar a visão do paciente já foram feitos e que ele está sendo orientado quanto à cronicidade da doença. A diabetes de Osvalter poderia ser um agravante à sua cegueira.

Oftalmologista consultado pelo Jornal da Cidade, José Eduardo Marques confirmou a gravidade de casos de descolamento de retina. Segundo ele, para que a visão de pacientes não tenha grandes sequelas, a cirurgia precisa ser feita em questão de horas. “Caso contrário, o caso pode ser irreversível, ainda mais se tratando de meses de espera”, afirmou o médico, analisando a situação de forma genérica, por desconhecer detalhes do caso específico.


HE não divulga casos pendentes

Não é novidade a demora para a disponibilização de vagas para internação no Hospital Estadual. O caso de Osvalter, porém, mostra que o problema é ainda mais amplo. No entanto, a assessoria de imprensa negou que seja extensa a fila de pacientes que aguardam procedimentos oftalmológicos.

Mesmo assim, o órgão disse que os profissionais do setor não teriam como paralisar seus serviços para levantar o número de pacientes que aguardam por procedimentos bem como a quantidade de casos de descolamento de retina.

 

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