Quioshi Goto |
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Menino aguardava transferência ontem com o prego e madeira presos na testa |
Conseguiu, na madrugada desta segunda-feira (13), uma vaga no Hospital das Clínicas de Botucatu, o menino de 3 anos que esperava, no Pronto-Atendimento Infantil (PAI) de Bauru, desde as 18h de domingo (12) por uma vaga para atendimento hospitalar. A criança teve a testa perfurada por um prego, preso em um pedaço de madeira do seu tamanho, enquanto brincava próxima a uma cerca má conservada durante churrasco de família.
O menino recebeu os cuidados iniciais no PAI, mas, para a retirada do prego, precisava de atendimento especializado em razão da complexidade do caso.
De acordo com funcionários do PAI, o menino precisou ser transferido para a outra cidade porque o Hospital Estadual não tem neurocirurgião e o Hospital de Base não tem pediatra. Um dos servidores revelou ao Jornal da Cidade que se sentia de ‘mãos atadas’ diante do caso. Kerrinson Lucas Ortiz da Silva foi avaliado previamente por três médicos do PAI e recebeu medicação contra infecção.
No momento em que a reportagem foi ao local, o garoto estava sedado, pois já havia vomitado diversas vezes, aumentando o desespero dos pais, que aguardavam notícias sobre o encaminhamento da criança.
O pai João Erivaldo da Silva mal conseguia falar diante da situação e permaneceu, durante todo o tempo, junto do filho na sala de espera do PAI.
Marcilene Ortiz, mãe de Kerrison, tentava, desesperadamente, saber se a vaga em Botucatu havia ou não sido liberada. “Eu só preciso saber disso. Não tem condições de uma criança dessa idade ficar esperando por mais de cinco horas”, dizia.
A preocupação da diarista era ainda maior porque o prego que entrou na testa do filho estava enferrujado. “Ele estava brincando e caiu. Foi tudo muito rápido. Quando cheguei para acudir, pensei que tivesse apenas ralado o joelho. Depois vi o que tinha acontecido”, relatou.
Histórico
A Central Reguladora de Vagas é que libera o encaminhamento de pacientes que chegam ao PAI ou ao Pronto-Socorro Central (PSC) e precisam de internações ou cirurgias. No entanto, o tempo de espera nos corredores das unidades municipais criou um caos no sistema de Saúde em Bauru, o que motivou encontro marcado para amanhã entre o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e o secretário estadual de Saúde, Giovanni Guido Cerri.
A reunião foi viabilizada pelo deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que adiantou ao JC a proposta do Estado em oferecer a gestão do Hospital de Base para o município, sem que a prefeitura precise assumir o passivo de R$ 150 milhões, deixado pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB).
A crise ganhou maior proporção após a morte da estudante universitária Drielly Carla Alves de Brito, 22 anos. A jovem foi a óbito no dia 26 de julho, depois de três dias aguardando vaga para internação no Hospital Estadual em uma maca instalada improvisadamente no PSC. Por conta de pedras na vesícula, não resistiu a uma pancreatite necro-hemorrágica. Antes dela, o aposentado Antonio Toledo, 76 anos, faleceu no PSC com suspeita de ter contraído gripe A (H1N1). No dia 5 de agosto, Hércules dos Santos sucumbiu a uma insuficiência respiratória enquanto aguardava vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). De acordo com a Divisão Regional de Saúde (DRS-6), porém, a solicitação foi feita às 14h e a vaga, oferecida às 16h.
Outra paciente também teria morrido enquanto aguardava vaga no Hospital Estadual (HE), no dia 3 de agosto. No entanto, de acordo com o Departamento de Urgência e Emergência (DUE) do município, tratava-se de uma paciente idosa com suspeita de metástase no cérebro decorrente de um tumor no pulmão.