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Prisões em flagrante crescem 24%

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 5 min

Douglas Reis

Rádio-patrulha ajuda na prevenção ao crime

As polícias civil e militar de Bauru e cidades vizinhas prenderam mais em flagrante no primeiro semestre de 2012. A comparação é com base em números divulgados nesta semana por ambas corporações, em comparação ao mesmo período do ano passado.


Somente nas delegacias compreendidas pela seccional da Polícia Civil em Bauru, entre janeiro e junho deste ano, foram registrados 848 flagrantes, contra 717 nos primeiros seis meses de 2011, uma alta pouco superior a casa dos 15%. Já no quarto batalhão da Polícia Militar, o índice foi superior a 24%, com 656 flagrantes, 131 casos a mais.


O carro-chefe é o tráfico de drogas. Ainda de acordo com contabilidade apresentada pela seccional, o aumento de flagrantes nessa modalidade subiu mais de 30%.


Na esteira do tráfico - que, de acordo com o trabalho particular da PM, gera demanda policial em 17% maior do que no ano passado – outros crimes entram “de carona”. Mais do que a frieza dos números, observam os chefes regionais das corporações policiais, o comércio de entorpecentes carrega outros crimes.


Os flagrantes, em maior parte, conforme os números oficiais, ocorrem sobre o tráfico. Porém, observa o delegado seccional de Polícia de Bauru, Marcos Mourão, a maior demanda sobre os trabalhos nos distritos é o de crimes contra o patrimônio.



Polícia Federal


A venda de entorpecentes, diretamente, figura em segundo lugar na lista, elenca. A maior incidência do tráfico de drogas, inclusive com ligação sobre outros crimes, é endossada também por números da delegacia da Polícia Federal em Bauru.


Ano passado, a maior demanda da PF na região, observa o delegado Carlos Alberto Fazzio Costa, chefe da instituição policial em Bauru, foi na coação aos contrabandistas. O foco maior, no primeiro semestre de 2012, foi concentrado nas apreensões de traficantes com quantidades mais vultuosas de entorpecentes.


Junto às prisões realizadas por ação direta, a PF ainda contabiliza, neste ano, a tirada de circulação de uma quadrilha que comercializava em torno de 700 quilos de pasta base de cocaína por ano. O trabalho, denominado “operação Bazuco”.


Na ocasião, após seis meses de investigações, a PF desbaratou uma organização criminosa responsável por boa parte do fornecimento de cocaína e crack para traficantes do Estado de São Paulo e tinha ligações com o crime organizado na capital.



Raio X


Em seguida, surgem as modalidades “derivadas” do tráfico, salienta. “Os furtos são os crimes que geram algumas das maiores demandas de trabalho e tem muita relação (com o tráfico de drogas)”, comenta o chefe da Polícia Civil na região.


Dentro dos furtos, os crimes sobre veículos, que resultaram na prisão em flagrante dos acusados, registraram um aumento, de acordo com a Polícia Militar.


Junto a esse delito, o roubo a transeuntes também aparece como uma das principais preocupações na cidade, salienta o comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM/I), o tenente-coronel Nelson Garcia Filho.


No caso de furtos de veículos, bem como a outra modalidade criminosa citada, a preocupação especial paira sobre as regiões sul e central. Um morador da região do Centro, que não se identificou, comentou com a reportagem, informalmente, em tom de alerta.


“Eu não aconselho deixar o carro aqui em nenhum horário. Nem quem mora nas redondezas”, afirma, sobre recentes casos de furtos de automóveis especificamente na área entre as avenidas Duque de Caxias,  Nações Unidas, parque Vitória Régia e câmpus da USP.



Serviço da rádio-patrulha tem contato mais direto com a população no dia a dia

 

Em meio a números estatísticas, há um trabalho que, muitas vezes, não entra para os índices ou balanços. É o contato direto com a população e seu respectivo chamado. Entre os policiais das diversas corporações que ligam com crimes e chamados de “A a Z” está a rádio-patrulha da Polícia Militar.


Diferentemente das tropas

especializadas da PM, como Canil, Força Tática, Ronda Escolar, Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam), entre outras, esse filão da corporação é deslocado para todo e qualquer chamado e, se necessário, solicita reforço dos grupamentos segmentados.


Fora dos índices, mas não necessariamente desligadas dos mesmos, ocorrências como o chamado “Charlie 04” (briga, no jargão policial) ou casos mais sérios como atendimentos a vítimas de roubos ou casos clínicos.


“O policial da rádio-patrulha precisa ser muito versátil em seu dia a dia, reunindo ocorrências dos mais variados gêneros. Ele atende desde desentendimentos, como as brigas de casal, aonde é preciso até certa dose de psicologia, até mediações de outros conflitos que podem ocasionar resultados mais graves, se não equacionados”, salienta o comandante do Batalhão.


Mas não é apenas em meio a valentões de boteco ou casais entre tapas e beijos que esses policiais entram em cena. Que o dia a soldado Cláudia da Silva Araújo. Há 25 anos na corporação (16 apenas a serviço da tropa). Integrante do efetivo da Base Comunitária de Segurança Norte, ela reúne os mais variados tipos de atendimentos na carreira.


Entre as inúmeras ocorrências em que participou, ela destaca uma experiência recente, em que o tirocínio da equipe foi fundamental para o salvamento de uma vida.


Há alguns anos, após receber um chamado para deslocamento próximo à lagoa da Quinta da Bela Olinda, ela, na companhia dos colegas, auxiliou no resgate a um senhor na faixa dos 50 anos que, após um mal súbito, foi encontrado caído, aos gemidos, num matagal. “Chovia demais e se não tivéssemos tido paciência, jamais o encontraríamos”, recorda.


Cláudia, que afirma não trocar a rádio-patrulha por uma tropa especializada. “O contato com a população é mais direto, gosto muito. Além disso, o tipo de trabalho é muito diversificado”, diferencia.  

 

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