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As tentativas de indução do eleitor

Carlos Pinto
| Tempo de leitura: 3 min

A época eleitoral produz uma cascata de pesquisas, a maioria das quais, à luz de uma análise mais acurada, terminam por demonstrar a quem elas servem. Não existe qualquer qualidade, quando uma prospecção desse naipe é realizada por telefone. E o pior, termina por induzir ou tentar induzir o eleitor, a carrear seu voto para o candidato de determinada corporação. Há uma diferença entre escolher a marca de um presunto, e o cidadão que vai dirigir os destinos de uma cidade.

Eleição não pode ser tratada como uma grife, onde o que mais recursos ostenta, pode enfeitar melhor o seu currículo, e adquirir os apoios necessários para tentar chegar ao final da corrida. As duas últimas pesquisas publicadas em Santos, apresentam um quadro interessante, após uma análise preliminar. Para três candidatos o percentual é muito parecido, no entanto para outro candidato, há uma nítida impressão de derrubada geral. E o pior: tentam desqualificar um prefeito com mais de 70% de aceitação popular, como não tendo poder de transferência de votos.

O ideal em uma prospecção dessa natureza, é que se ouçam os eleitores de acordo com o percentual eleitoral de cada bairro do município, sem qualquer tipo de indução. Pesquisar certo número de pessoas, sendo metade por telefone, e acusar mais de 60% que declinaram não saber ainda em quem votar, ou que vão votar em branco ou anular, não pode ser uma pesquisa crível. Dá margem a desconfianças, e no caso atual, o veículo que a divulgou deveria ter a coragem de afirmar que tal candidato vai levar no primeiro turno.

Acompanho eleições desde 1968, e tenho observado como as pesquisas marotas acabam quebrando a cara de quem as patrocinou. Por várias vezes já coloquei em meus comentários, que o eleitor não é tonto. Em várias dessas eleições, senão em todas, os candidatos apoiados por veículos de comunicação, ou amparados em pesquisas pouco recomendáveis, terminaram por amargar suas derrotas. Foi assim em 1968, depois em 1984, em 1988 na sequência, 1996 e em outras, inclusive em 2004, quando da eleição do Prefeito Papa.

Não se pode esquecer a célebre armação da Proconsult, no Rio de Janeiro, tentando armar contra a eleição de Leonel Brizola, e no fim, deu no que deu. Sabemos bem, quem estava por trás de toda a armação. Pesquisa séria marca um momento do processo eleitoral, e nunca determina o fim desse processo. Recordo que em certa disputa para a Prefeitura da Capital, o candidato Fernando Henrique Cardoso estava tão folgado nas pesquisas, que antecipadamente resolveu sentar na cadeira de Prefeito. Quando abriram as urnas, o raposão do Janio Quadros havia ganho a eleição, e ainda produziu um ato público ao desinfetar a cadeira onde FHC havia sentado. Eleição pertence ao povo. Devemos deixar que escolha com toda a liberdade, para que não cometa erros de avaliação. Nem as pesquisas de mercado funcionam como deviam, quanto mais quando se trata de escolher um mandatário. A pesquisa que interessa, é a que vai ser realizada em 7 de outubro. Até lá, muita água vai rolar.

O autor, Carlos Pinto, é jornalista

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