Política

Rodrigo vê Cohab como ?ameaça?

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) reconhece que a dívida milionária da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) com o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) é o maior problema ser enfrentado pela próxima gestão e o caso que pode inviabilizar o município. A ratificação daquilo que já se sabe há anos nos balancetes da companhia foi feita ontem de manhã, durante sabatina do candidato à reeleição na rodada de entrevistas realizada pela rádio Auri-Verde. Na próxima semana, a rádio completa a série realizada em parceria com o Jornal da Cidade e a TV Câmara com a entrevista com a candidata Chiara Ranieri (DEM). O programa vai ao ar pela emissora pública na quinta-feira, às 20 horas, pelo canal 10 da Net. 

Em sua vez, o programa trouxe um prefeito acostumado a classificar dados e nomes de seu governo, mas arredio a aprofundar temas. Apontado como difícil de ser batido, nos bastidores, até mesmo por alguns dos militantes dos partidários de seus adversários, Agostinho claramente adota a tática de tentar enumerar seus feitos em detrimento a discussões mais profundas. O debate eleitoral frio nas ruas e o distanciamento da população da eleição 2012 favorecem, neste momento, o candidato que, ainda que não queira, tem a seu favor a popularidade acumulada em quase quatro anos de gestão e as atividades da máquina pública a seu dispor.

“Vamos continuar negociando a dívida de resíduos habitacionais com o Copnselho Curador do FGTS para a dívida da Cohab. Defendemos o alongamento da dívida. é a maior ameaça à administração. Realmente a dívida da Cohab pode inviabilizar o município”, disse na entrevista ancorada por Nivaldo José, da Auri-Verde. Ele mencionou que as execuções judiciais realizadas pela Caixa Econòmica Federal (CEF) junto à Justiça Eleitoral, para receber por contratos habitacionais já vencidos e cujos resíduos têm de ser cobertos pela Cohab, estão suspensas.

Entretanto, a suspensão temporária das execuções, cujo objetivo central é cobrar da Cohab e da Prefeitura para que paguem ao FGTS em torno de R$ 400 milhões até 2016 (o total de débitos hoje passaria de R$ 700 milhões se todos os contratos estivessem vencidos), não estanca a sangira financeira. Ao contrário, os valores sofrem correção e aplicação de juros e, a cada dia, a municipalidade se compromete com dívida crescente em razão da situação insolúvel dos débitos.

Rodrigo não gerou os débitos, diga-se. Esse rombo foi se acumulando desde as gestões iniciais da Cohab, ainda na década de 70. Construiu-se milhares de moradias em dezenas de municípios paulistas, mas quase ninguem cobrou os mutuários pelas prestações. Como as construções foram financiadas com recursos do trabalhador, via FGTS, agora o município tem de devolver o que foi utilizado. “As execuções estão suspensas na Justiça e enquanto isso tem de negociar para alongar. É a única alternativa disponível hoje. A curto prazo não tem como pagar”, reforçou.

O candidato a reeleição, por sua vez, não abordou a também milionárai dívida com seguros, também da Cohab. Diz-se que haveria crédito em favor do município para abater o total de mais de R4 90 milhões a serem pagos pelo seguro habitacional. Mas, como as depurações intermináveis em contratos dos mutuários, ninguem viu ou sabe dessas questões. Rodrigo também não tocou no assunto, quando foi lembrado que ele próprio, de forma irregular, prometeu reduzir prestações de mutuários da região do Mary Dota, ainda no início de seu governo. A aplicação de benefícios a contratos específicos, além de deixar milhares de outros mutuários em condição desigual no tratamento dado pela Cohab, não resolve a sangria das dívidas e, ao contrário, tem de ser absorvido pela companhia (ou o município) no final dos contratos, ampliando a bola de neve que ele sabia que existia e não fez quase nada para parar de ver crescer.

O prefeito voltou a ser comedido ao se comprometer em assumir o Hospital de Base (HB), cuja reunião com a Secretaria Estadual de Saúde será hoje em São Paulo, não definiu o papel e o formato da Fundação Regional de Saúde para atuar no setor e voltou a prometer, como havia o feito há quatro anos, a ampliação das equipes do programa de saúde na família. Na oportunidade, ele disse que implantaria 25 equipes, ao invés das sete atuais. “Vamos chegar a 32 equipes do programa de saúde da família em um ano”, disse ontem.

Sobre a crise na internação hospitalar, que igualmente era conhecido do candidato à reeleição desde janeiro de 2009, ontem ele disse que “a internação e os serviços de média complexidade são de responsabilidade do Estado. O problema de retaguarda hospitalar tem de ser acertado e vamos ouvir da Secretaria Estadual de Saúde qual é a proposta”.

Agostinho ainda reconheceu que não conseguiu fazer com que médicos cumpram jornada em seu governo, mencionando que alguns chegam a ganhar mais do que o prefeito em razão da remuneração por plantões. Na prática, o prefeito recebe subsídio próximo de R$ 15 mil e tem médico recebendo o dobro do valor na rede. O cumprimento de jornada é considerado algo impossível de ser enfrentado em razão do forte lobby de “mercado” criado pelo corporativismo de janelo branco.

 

Agenda dos candidatos

 

Chiara Ranieri (DEM)

 

8h – visita à Associação Bauruense de Combate ao Câncer (ABCC), com apresentação de propostas para o segmento da Saúde  

 

15h – Bate-papo com funcionários da Sagae Eventos

 

19h – Tradicional encontro com candidatos a vereador, coordenação de campanha e militância, no comitê eleitoral 

 

Clodoaldo Gazzetta (PV)

 

12h – Discussão de propostas com rotarianos

Paulinho (PSTU)

 

12h – panfletagem no portão 1 da Unesp para divulgar Seminário de Educação 

 

Rodrigo Agostinho (PMDB)  

 

Viaja a São Paulo onde se reúne com representantes da Secretaria de Estado da Saúde

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