Tribuna do Leitor

Relato de uma mãe desesperada


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Olá. Nos últimos dias uma conhecida minha se deparou com uma situação aterrorizante: sua filha de 7 anos começou a sentir dores no abdômen, procurou o PS e, como de praxe, demoraram a atendê-la. Posteriormente, a garota foi medicada e dispensada, mas ainda naquela noite continuou a sentir fortes dores. No dia seguinte, retornaram ao PS, outro médico fez o atendimento e solicitou um raio-x, mas como o exame não é realizado na hora, ficaram aguardando até fazê-lo e depois de pronto esperaram o médico para verificar o resultado do exame. Após a análise do exame, o médico informou que a criança deveria ser internada, pois o diagnóstico indicava uma possível apendicite. No entanto, como não tinha vaga para internação, a paciente foi dispensada para aguardar em casa.

A mãe, inconformada, procurou uma médica particular e esta, ao verificar o exame, solicitou que retornassem com urgência para o PS, pois o caso era de apêndice e a criança poderia morrer. De volta ao PS, a mesma médica do primeiro dia a atendeu e realmente verificou que o caso era grave e alegou que não tinha vaga e seria necessário aguardar. Novamente inconformada, a mãe "intimou" a médica a dar uma solução, pois caso não tomasse as providências necessárias faria um BO por descaso no atendimento e processaria todos os envolvidos. Fizeram todos os contatos possíveis e conseguiram uma vaga, mas segundo informações da mãe não haveria ambulância para levar. Nesse momento, o pai da menina se ofereceu para levar com o próprio carro e não deixaram, ou seja, antes não tinha vaga, depois ambulância e o pai também não podia levar. Que incoerência!

Aí é que entra a política. De acordo com a mãe, foram feitos contatos com assessores políticos, com o secretário da Saúde e todos se mobilizaram e conseguiram salvar mais uma vida. Moral da história: a quem devemos cobrar? A prefeitura? O Estado? O grupo regulador de vagas de Bauru? Os políticos? Ou os médicos pelo mau atendimento e pela falta de interesse em salvar vidas? Precisamos parar de discutir na Câmara sobre quem é o responsável pela saúde em Bauru e começarmos a cobrar os médicos despreparados e puni-los pelos procedimentos errados. Há uma força política contrária em nossa cidade querendo que as coisas deem errado. Vereadores, vamos parar de discutir e exercer o papel de defender e fiscalizar o cumprimento dos interesses dos cidadãos. É difícil entender: as vagas são distribuídas pelos municípios, contudo, se um município da região não utilizar o leito destinado, este fica vago, não podendo ser utilizado por outros pacientes. Quer dizer que no caso relatado havia leito disponível, mas destinado a outro município, logo não poderia receber a menina. Outra questão: havia ambulância para fazer o transporte da paciente, no entanto, o veículo não poderia sair do Hospital Estadual para buscar a paciente tendo em vista que era obrigação do PS levá-la. Dessa forma, é possível acreditar que pessoas da administração estão escolhendo privilegiar seus pacientes e querem gerar uma instabilidade na cidade. Cadê nosso deputado estadual que é da Saúde? Cadê nossos vereadores que discutem todos os dias sobre saúde e não colocam nada em prática? Vamos punir esses médicos pelo descaso e mau atendimento, da mesma forma, que sejam punidos os administradores dos hospitais. Quem sabe dessa forma, esses profissionais passem a assumir um compromisso verdadeiro com a comunidade.

Claudemir Vella

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