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Férias elevam inadimplência escolar

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

“Já virou tradição: em todo mês de julho a inadimplência aumenta. Os pais saem para passear ou viajar com os filhos e esquecem ou deixam a mensalidade da escola para depois”, diz o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), Benjamin Ribeiro da Silva.

Na manhã de ontem, a diretoria do Sieeesp se reuniu com mantenedores de escolas particulares de Bauru e região para discutir as perspectivas econômicas do setor, mas o assunto que mais se destacou no evento foi a inadimplência.

De acordo com Silva, embora o índice de julho não tenha sido oficializado pelas pesquisas, levantamento realizado pelo sindicato aponta que no mês passado o índice de inadimplência na cidade atingiu o patamar de 9%.

Ainda conforme o levantamento, em junho 2012 a média da falta de pagamento das mensalidades nos estabelecimentos de ensino privados de Bauru atingiu 7,43%, superando a média do Estado de 7,31% no mesmo período.

Com essa margem, o município perde apenas para os números de grandes cidades como São Paulo, que registrou 11%, São José dos Campos, com 9,6%, e Campinas que tem média de 8,33%.

No ano passado, os períodos referentes a dezembro, fevereiro e julho foram os que mais registraram débitos em escolas, com 8,87%, 8,36% e 8,87%, respectivamente.

O valor do déficit gerado, segundo explica o presidente do Sieeesp, corresponderia a 80% de uma receita mensal do faturamento anual das escolas do nível básico de ensino.

“A escola particular se tornou o sonho de consumo de parte da população, inclusive das classes sociais em ascensão”, avalia Benjamim sobre o crescimento do setor no Estado nos últimos anos. Atualmente, existem em Bauru 90 escolas particulares que atendem 20 mil estudantes. Já na região são 250 colégios com mais de 48 mil alunos.


“Além da conta”

Advogado, um homem de 47 anos que pediu para não ser identificado paga uma média mensal de R$ 600,00 para manter seu filho de 6 anos em uma escola particular de Bauru. No ano passado, ele conta que acabou se endividando após prolongar uma viagem com a família. “Fomos viajar para a praia, acabamos gastando além da conta e a mensalidade teve que esperar”, lembra.

A mesma situação ocorre com uma corretora de imóveis de 39 anos, que admite atrasar outras contas e preferir pagar juros do cartão de crédito do que voltar a atrasar a mensalidade da escola de seus dois filhos.

“Neste mês de férias nós não viajamos, mas os meus sobrinhos vieram ficar em casa e os gastos dobraram”, diz a mulher, que gasta mais de R$ 1 mil por mês somente com o estudo dos filhos.

 

Consequência

Para o diretor regional do Sieeesp em Bauru, Gerson Trevizani, que também é diretor-presidente do grupo Preve, a inadimplência acontece, principalmente, por conta da ineficiência da legislação.

“Todos os setores hoje sofrem com a abertura do crédito, mas como a escola é um lugar onde a inadimplência não tem consequência, é a primeira coisa que as pessoas deixam de pagar quando a situação ‘aperta’, afinal, demoram 12 meses para que a rematrícula fique impedida”, explica.

Pela legislação atual, os estabelecimentos de ensino não podem cancelar a prestação do serviço com o aluno por falta de pagamento, ou seja, o estudante continua a frequentar as aulas e realizar as provas até o final do ano letivo.

Entretanto, passados 90 dias de atraso, as instituições são liberadas para realizar a inclusão do nome dos devedores no serviço de proteção ao crédito como SPC e Serasa.

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