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Água inspira roupas no início do verão

Tisa Moraes com redação
| Tempo de leitura: 4 min

O azul, o verde e o branco em tecidos fluidos, sedas e malhas flamê darão o tom do início do verão deste ano, com estampas e texturas alusivas ao estilo de vida descontraído das cidades à beira-mar. A tendência praiana da próxima estação foi antecipada na noite de ontem durante a terceira edição de um dos maiores eventos de moda de Bauru e região, o TopChic, realizado no Teatro Veritas da Universidade Sagrado Coração (USC). (leia mais abaixo)

Mas esta é apenas a primeira de quatro vertentes que devem marcar o estilo de roupas, sapatos e acessórios nas vitrines, conforme adianta o consultor de moda e também coordenador do evento e do curso de design de moda da USC, Odil Zepper, o Juba. De acordo com ele, além da linha Aquamundi, na sequência ganharão força as temáticas KiAmor, Etno’s e Sportec.

“A tendência Aquamundi vem para marcar o fim do inverno e deve ser a mais comercial entre todas elas, a que mais estará mais impregnada nas marcas e lojas de departamento”, adianta. A estamparia será inspirada na fauna e flora marítima, tais como peixes e coqueiros, mas haverá espaço ainda para aplicações, bordados e paetês. “Teremos uma overdose de brilho, numa alusão à cauda da sereia”, acrescenta.

O segundo tema, denominado KiAmor, enfatiza a moda dos anos 1950 e ostenta feminilidade e romantismo, tendo como cartela de cores o rosa-claro (que recebeu o nome de peônia) até o nude. “Nela, veremos muitas peças em algodão e vestidos inspirados em roupas de boneca, com babados, mas sempre com um detalhe surpreendente, como um decote sexy nas costas”, frisa Juba.

A terceira linha do verão será a temática Etno’s, que traz a proposta de valorizar peças artesanais e aspectos folclóricos, tribais e indígenas como forma de exaltar as diferenças entre povos ao redor do mundo. “Teremos estampas étnicas, mas numa nova concepção, mais discreta e chique do que estamos acostumados. Neste tema, os maxicolares continuam com força total”, destaca.

A última tendência é a Sportec, ou esportiva tecnológica, que vai investir na mistura de uniformes esportivos com detalhes românticos e sexies. “Trata-se de uma linha mais minimalista, com recortes que terão uma pegada folk. É uma combinação inusitada, porque teremos, por exemplo, uma camisa de basebol com manga de renda, detalhes em cores fluorescentes e sobreposições”, observa o consultor.

 

Estratégia

As quatro temáticas foram apresentadas ontem durante o TopChic, que traz as principais influências do mercado internacional, mas sempre com a preocupação de respeitar o perfil do consumidor regional. “As mulheres de Bauru, por exemplo, não compram roupa pensando em conceito de moda. Mais do que em outros lugares, elas gostam de peças justas e decotes, embora tenham aderido bastante às saias longas e, agora, às camisas amplas, que chegaram com força”, pondera.

Para subsidiar estrategicamente lojistas, confeccionistas e profissionais de moda que frequentam o TopChic, o evento também apresentou, entre as tendências, o que não deve agradar ao público local. “Um exemplo é o amarelo e o azul klein (intenso), duas cores deste verão, mas que tem pouquíssima aceitação no Interior do Estado”, pontua.

Porém, mais do que invadir as lojas e adquirir um amontoado de peças novas inseridas na nova tendência, Juba ensina que o ideal é aprender a comprar roupas adequadas ao próprio corpo e condizentes com o perfil individual. “A moda é maravilhosa porque é capaz de personificar nosso espírito. Mas, por ter se tornado muito democrática, acabou estimulando o consumismo desenfreado. O interessante é criar um guarda-roupa inteligente. Só assim a pessoa conseguirá criar o próprio estilo”, sentencia.

 

Mercado global x perfil regional

O TopChic é realizado por cerca de 60 alunos do curso de design de moda da Universidade Sagrado Coração (USC) em parceria com lojas de confecção e acessórios de Bauru. Sob a coordenação de Odil Zepper, o Juba, eles pesquisam tendências apresentadas nas passarelas internacionais e em empresas da Capital para, depois, selecionar os produtos e conceitos que mais de adequam às características do mercado regional.

“Temos uma preocupação em fazer um processo de filtragem. As vertentes de moda são maiores, mas o que apresentaremos é um ‘raio-x’, o DNA da nossa região”, ressalta Juba.

Conforme explica a aluna do segundo ano do curso de moda Lígia Garcia, 19 anos, a pesquisa das peças e a concepção do evento começaram em março. Depois de delineadas as quatro temáticas que devem imperar no verão, as peças foram escolhidas nas lojas parceiras.

“Os alunos também se responsabilizam pela produção do evento, desde a recepção dos convidados até a trilha sonora dos desfiles. É um aprendizado para os estudantes e uma preparação para as lojas da região”, detalha ela, que ficou responsável por operar a mesa de som. O TopChic contou com desfiles e palestras de Odil Zepper e Fabiana Castro, da equipe da grife masculina Ricardo Almeida.

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