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Dívida e qualidade de vida

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Novos estudos realizados por especialistas em finanças domésticas confirmam que o endividamento pode estar ligado a transtornos psicológicos. Coloquei confirmam estudos à medida que este assunto já vem sendo acompanhado há tempos, com o crescimento, inclusive, dos grupos de apoio, denominados de grupo de devedores anônimos. É a denominada oneomania. O Procon de São Paulo realizou projeto piloto de janeiro a julho de 2011. É um programa voltado para os superendividados. A pesquisa opontou que cerca de um terço dos endividados tinham problema de saúde. Estas pessoas têm forte sofrimento psíquico. Não dormem, se separam, têm problema em casa, enfim, perdem qualidade de vida. Muitas destas pessoas têm diificuldades em se controlar nas compras. Gastam por impulso, gastam além do que a renda permite, e o resultado é desastroso. Em um momento em que o crédito está em expansão, o comportamento aqui relatado preocupa.

Temos o fortalecimento da Classe C brasileira. Pessoas que possuem renda familiar um pouco acima de R$ 2.000,00 mensais já comprometem 46,3% desta renda em dívidas. São consumidores que possuem o que chamamos de demanda reprimida. Ficaram muito tempo fora de um padrão de consumo, e estão querendo tirar o atraso. Se isso for feito sem critério, planejamento e no impulso, o endividamento pode se transformar em inadimplência. Isso pode ser agravado quando a oneomania estiver presente.

Que o Brasil experimentará queda nos juros e expansão na oferta de crédito não há dúvidas, é questão de tempo, mas que ao mesmo tempo os agentes econômicos precisarão investir em educação financeira, também não há dúvidas. Neste particular falamos de trabalhos de orientação, preventivos. E como a constatação é até de doenças, não será um trabalho somente para Economistas ou profissionais de finanças. Será um trabalho multidisciplinar, envolvendo outras áreas do conhecimento, e com isso tentar minimizar o sofrimento das pessoas em função do descontrole nos gastos. Boa saúde financeira é sinônima de qualidade de vida.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib, diretor do Corecon e articulista do JC

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