Não quero aqui desmerecer o empenho de cada atleta brasileiro que esteve nas Olimpíadas. Fui atleta por muitos anos, tenho torneios nacionais e internacionais na bagagem e sei que ninguém disputa algo para perder. Esse lance de que "o importante é competir" é consolo de perdedores, pois quem entre numa arena quer a medalha no peito como o mínimo de satisfação íntima.
Mas a tragédia brasileira sempre se repete nas competições, com um desempenho para lá de medíocre. Embora tenhamos dimensões continentais, a 10ª maior economia do planeta e uma população de quase 200 milhões, sempre terminamos na rabeira da classificação mundial. Somos derrotados por países que têm o tamanho de alguns de nossos estados, população 10 vezes menor e economias mais fracas! Holanda, França, Itália, Cazaquistão, Hungria, Holanda, Coréias do Sul e Norte e Ucrânia, entre outros, mesmo somados cabem dentro de meio Brasil. E nos deixaram comendo poeira! Isso sem falar que nosso PIB é mais alto do que a maioria dos países que ficaram na nossa frente no quadro de medalhas!
Excluído o esforço pessoal e familiar de nossos atletas, não há projeto nacional de produção de competidores. As estrelas que brilham aparecem pela sorte de alguém ter começado a praticar uma modalidade, mas nunca por ter sido descoberto em atividades esportivas nacionais. Prova maior é o "nosso" medalhista de ouro nas argolas, que o Cômite Olímpico Brasileiro sequer conhecia, jamais recebeu qualquer recurso para seus treinamentos.
Recurso! Isto é a chave do sucesso. A diferença de desempenho está no fato de que, naqueles países, não há um Orlando Silva que desvia recursos do Ministério dos Esportes para ONGs fantasmas, ligadas ao PCdoB (para elas, nunca faltam recursos); naqueles países, não há gestão criminosa ou distribuição irresponsável de cargos nos setores vitais do governo apenas para saciar a fome partidária com gente despreocupada com os interesses pátrios. Lá, os parcos recursos são empregados com seriedade para a formação do atleta e não usados em caráter eleitoral para dar latas de leite ou fazer jogos pueris em quadras de colégios só para entreter os jovens. Enquanto lá se prepara o atleta para a próxima olimpíada em 4 anos, aqui se semeia os votos para a próxima eleição no mesmo período através de alguma "política pública" de mentirinha. Tudo faz parte de uma piada de mau gosto. Uma Olim-piada.
Ivan Goffi