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Bancários ?fecham? agência em um protesto à demissão de funcionária

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Membros do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região fecharam, ontem, a agência do Bradesco localizada no Jardim Bela Vista, para protestar contra a demissão de uma funcionária do banco diagnosticada com esclerose múltipla. Segundo a entidade, a mulher, que não teve a identidade revelada, trabalhou na empresa por quase 14 anos e foi desligada quando já estava doente e prestes a entrar em férias.

O sindicato afirma que, já na próxima semana, adotará medidas legais contra a decisão, que considerou ser “inconcebível, cruel e assustadora”. Procurada pela reportagem, a assessoria do banco preferiu não rebater pontualmente as acusações e limitou-se a informar que “o desligamento ocorreu por decisão administrativa”. Abalada, a funcionária não quis conceder entrevista.

De acordo com Marcos Lenharo, diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, a funcionária havia sido promovida recentemente, mas, há cerca de quatro meses, começou a apresentar sintomas de esclerose múltipla. A doença afeta o sistema neurológico, não tem cura e, entre as consequências mais comuns, pode provocar fraqueza muscular, rigidez articular, descoordenação motora e perda de equilíbrio.

Depois de receber o diagnóstico e mesmo enfrentando dificuldades para caminhar, a mulher decidiu continuar trabalhando. Quando começou a tomar a medicação para desacelerar o processo de evolução do problema, passou a realizar um número maior de pausas na jornada pela necessidade de urinar com maior frequência.

“O remédio tem efeito diurético. Mas o banco não quer um funcionário parando seu serviço toda hora. Ela é uma mulher jovem, que foi reconhecida profissionalmente com uma promoção. Mas, no momento em que ficou doente e deixou de atingir os índices de produtividade, foi descartada”, observa Lenharo. 

De acordo com ele, a trabalhadora não pediu afastamento por medo de perder o emprego e talvez este tenha sido seu maior erro. “Ela foi punida por querer trabalhar e não prejudicar o banco. Conversamos com o gestor da agência e tentamos negociar durante três dias com a diretoria de recursos humanos do Bradesco, mas eles disseram que a produtividade dela era baixa e, já que estava doente, deveria ter pedido licença médica”, detalha.

 

Sem plano

Com o agravamento dos sintomas, a funcionária solicitou a antecipação de suas férias para procurar tratamento com um especialista fora de Bauru. O pedido foi concedido e ela teria o período de descanso a partir do último dia 13. Porém, no dia 10, foi comunicada sobre a demissão.

“É aterrador, uma crueldade desamparar o trabalhador no momento mais crucial de sua vida. Deixá-lo sem emprego e, por consequência, sem plano de saúde, é desumano. Ficamos assustados com a atitude do banco”, lamenta o diretor do sindicato.

Nesta semana, já sem assistência privada de saúde, a trabalhadora consultou-se com um oftalmologista e foi diagnosticada com glaucoma nos dois olhos. Ela terá de ser submetida à cirurgia, que foi agendada para o próximo dia 21. “O glaucoma é sequela da doença e ela precisará fazer essa operação para tentar corrigir o problema. Caso contrário, corre o risco de perder a visão”, destaca Lenharo.

Na semana que vem, a funcionária deve ser ouvida pelos advogados do sindicato, que pretendem tomar medidas judiciais contra a decisão do banco. Consultado pelo JC, o advogado Sérgio Luiz Ribeiro não quis antecipar qual será sua estratégia, que pode incluir o pedido de reintegração da trabalhadora à empresa e até de pagamento de indenização.

Numa última tentativa de negociação, durante a manifestação realizada na manhã de ontem o sindicato reivindicou a desistência da demissão, o que foi negado pela diretoria da empresa. A agência, no entanto, ficou fechada durante todo o expediente.

 

Apoio de clientes

Mesmo tendo forçado o Bradesco a suspender o atendimento ao público durante todo o dia de ontem, o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região recebeu o apoio de clientes da agência localizada na quadra 6 da rua Carlos Marques, no Jardim Bela Vista. Sem se identificar, duas mulheres se mostraram indignadas com a demissão da funcionária doente e reclamaram da falta de funcionários na unidade.

“Só há um caixa para atender o público em geral e outro preferencial. Por causa disso, algumas operações, como depósitos, só podem ser feitas nos caixas eletrônicos. Só que o dinheiro não cai na hora”, reclama uma delas, correntista desde que o banco foi inaugurado, há cerca de quatro anos.

A outra mulher comparou o tratamento dispensado à funcionária ao atendimento prestado aos clientes. “Tudo baseia-se na lógica do dinheiro. Se o correntista tem conta gorda, ele vai ser bem tratado. Caso contrário...”, opina. 

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