Bairros

Falta de água pode afetar 140 mil bauruenses hoje

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

 

Grande parte dos bauruenses deve sofrer com desabastecimento de água durante todo o dia de hoje. O motivo é um reparo elétrico do Departamento de Água e Esgoto (DAE) que irá interromper a captação de água do rio Batalha, cujo fornecimento corresponde a pouco mais de 40% de Bauru. De acordo com a própria autarquia, 14 bairros poderão sentir os efeitos da falta de água, o que, de acordo com estimativa obtida pelo JC, representa 140 mil pessoas.

O diretor da Divisão de Produção e Reservação, Igor Fournier, explica que ocorreu um problema em um painel elétrico da Estação de Tratamento de Água (ETA), responsável pela captação do Batalha. Para o reparo, será preciso paralisar a ETA das 6h da manhã até o meio-dia.

Com isso, a cidade ficará, nesse período, somente com o abastecimento por poços. O fato deverá afetar, de acordo com a assessoria de comunicação da autarquia, os bairros Jardim Ouro Verde, Jardim Ferraz, Jardim Jussara, Jardim América, Jardim Panorama, Jardim Estoril, Jardim Aeroporto, Centro, Independência, Falcão, Parque dos Sabiás, Ipiranga, Vila Dutra e parte do Jardim Bela Vista.

A interrupção representa déficit grande no abastecimento. Como a ETA produz 550 litros de água por segundo, a paralisação por seis horas deixará um “buraco” de aproximadamente 2 milhões de litros. E o tempo não ajudará, uma vez que não há previsão de chuva para hoje e para toda a próxima semana (leia mais abaixo).

O diretor da Divisão de Produção e Reservação, Igor Fournier, afirma que alguns dos bairros que serão prejudicados têm abastecimento misto da captação do rio Batalha e de poços. “Por isso, falamos em abastecimento prejudicado”, explica.

Mesmo com a previsão de terminar os reparos por volta do meio-dia, a normalização deve ocorrer, segundo Fournier, somente pela madrugada. Por isso, o DAE solicita a economia e o uso racional da água por parte dos consumidores dessas regiões.

Questionado sobre um possível efeito de “cobertor curto” que afetaria outras localidades, o diretor da autarquia afirma que não existe esta possibilidade. Ou seja, a água não será tirada de outros pontos para suprir os bairros afetados hoje. “São raros os sistemas do DAE hoje que são interligados. Assim, não há essa capacidade de manobra na maioria dos lugares”, complementa Igor Fournier.

Inevitável?

Em relação ao problema que precisará ser reparado na manhã de hoje, o diretor da Divisão de Produção e Reservação afirma que é algo que “transcende qualquer tipo de manutenção preventiva”.

Segundo Fournier, o problema no painel da bomba de captação do Batalha é algo inevitável e também “incomum”. “O motor elétrico está ligado a uma cabine de transformação com barramentos (conjuntos de linha de comunicação) de cobre e grande bitola. Todo o sistema de automação e partida está ligado a esses barramentos. Houve uma fuga de energia que desarmou esse dispositivo”, explica.

Ele ainda complementa que o sistema foi isolado e já funcionou ontem de forma bastante precária, exatamente para que o reparo fosse programado para a manhã de hoje.

Estiagem

Mesmo com o tempo seco, o nível do rio Batalha ainda não está baixo. De acordo com a medição realizada ontem, o índice está em 2,6 metros, considerado normal. Porém, de acordo com as previsões do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a chuva não virá tão cedo.

A previsão aponta que, hoje, o dia será ensolarado, com temperaturas variando entre 18 e 28 graus. A probabilidade de chuva é praticamente nula. O mesmo tempo seco, segundo o IPMet, ainda vai prevalecer no fim de semana e durante toda a próxima semana.

Problemas na ETA

A população que é abastecida pelas Unidades de Produção, Reservação e Sistema ETA/Batalha do DAE já sofreu com outros problemas no ano passado. Em um deles, o abastecimento ocorreu, porém, a água que saia das torneiras vinha junto com barro.

O motivo foi o volume excessivo de resíduos no rio Batalha. Para contornar a situação, o procedimento utilizado foi reduzir a vazão da água (o que pode ser realizado até à metade da produção normal) para evitar que o líquido captado viesse com muito barro. A redução, porém, causou desabastecimento.

Outro problema registrado no fim de 2011 também foi de origem elétrica. Na ocasião, interrupções elétricas resultaram em desabastecimento em seis bairros bauruenses.

Neste ano, conforme o JC divulgou, a falta de água se tornou um problema crítico em Bauru. Por todos os bairros, moradores reclamavam e o DAE assumiu que a produção de água não é suficiente para toda a cidade. 

 

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