Rio - O vergalhão que caiu de uma obra e perfurou o crânio de um operário na quarta-feira no Rio não estava bem amarrado quando foi içado (veja quadro). A conclusão é de fiscais do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RJ), que fizeram uma vistoria anteontem na obra.
Nas próximas semanas, a engenheira responsável pela obra será convocada para prestar depoimento na Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes do conselho. Segundo o Crea-RJ, ela também terá uma das Anotações de Responsabilidade Técnica cancelada, já que ela assumiu a responsabilidade técnica tanto pela obra quanto pela segurança da construção, procedimento vedado pela Câmara Especializada de Segurança do Trabalho.
O operário Eduardo Leite, 24 anos, passa bem e está lúcido, segundo boletim médico divulgado ontem. Ele continua internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do hospital municipal Miguel Couto, na zona sul do Rio. De acordo com a nota, o acidente não ocasionou sequelas ao operário e seu quadro médico continua estável.
Eduardo sobreviveu após ter a cabeça atravessada por uma vergalhão da grossura de um dedo polegar. A barra de ferro entrou pela parte posterior do crânio e saiu entre os olhos. Ele permaneceu consciente após o impacto.
O operário relatou que trabalhava numa obra quando o vergalhão caiu do quarto andar do prédio em construção. “Ela entrou como uma flecha. Ele disse que sentiu o impacto, caiu, mas que não doeu muito”, disse o chefe do setor de neurocirurgia do hospital, Ruy Monteiro.