As mais de 40 lixeiras espalhadas no câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Bauru não foram suficientes para impedir que a renomada instituição pública de ensino recebesse um auto de infração no valor de R$ 1 mil por conta do lixo jogado ao chão. “A gente se sente derrotado. Temos lixeiras, fazemos a limpeza, mas a comunidade unespiana precisa colaborar mais. Eu mesmo vivo recolhendo papeis e garrafas por todo o canto”, lamenta Jair Manfrinato, presidente do câmpus.
De acordo com ele, o Departamento de Vigilância Sanitária do município costuma realizar vistorias na unidade cerca de três vezes ao ano e, em março, os agentes visitaram a instituição e encontraram grande quantidade de copos descartáveis espalhados pelo câmpus, emitindo uma notificação à diretoria. Ao final de maio, entretanto, após uma segunda visita, a universidade acabou multada.
“Há três anos a situação era pior, mas hoje temos lixeiras por toda a parte e fazemos a limpeza diariamente, não dá para entender”, completa Manfrinato.
Descontente com a situação, a universidade recorreu e a Prefeitura Municipal acatou o recurso, concedendo à instituição o prazo correspondente até o final de setembro de 2012 para resolver a situação.
“Missão impossível”
Para o diretor administrativo da unidade, José Munhoz Fernandes a situação atual do câmpus em relação ao lixo evidencia uma contradição vivida pela própria unidade.
“É uma falta de educação dentro da própria instituição de ensino. Seria praticamente uma missão impossível deixar o câmpus limpo sempre, afinal, são mais de 8 mil estudantes,155 prédios e 30 alqueires. Sem colaboração, não dá”, frisa Munhoz, destacando que um multirão realizado pela equipe da unidade no último mês recolheu mais de 50 sacos de lixo de 100 litros de resíduos do chão da universidade.
Na manhã de anteontem, a reportagem percorreu o câmpus observando a atitude dos estudantes quanto à destinação de seus resíduos.
Ao final do intervalo, era possível notar a falta de colaboração em plena cantina e ao redor da unidade. Papéis, embalagens e latas ao chão, até o diretor administrativo e o diretor de limpeza do câmpus se agacharam para recolher os resíduos enquanto conversavam com o JC.
Sobre o auto de infração, a direção do Grupo Administrativo do Câmpus (Gac) esclarece que a multa foi aplicada por conta do descarte de lixo individual e não de lixo proveniente de qualquer uma das três faculdades da Unesp.
A universidade informa ainda, por meio de seu diretor do departamento de limpeza, Claudio Martino, que possui uma equipe de mais de 25 trabalhadores que realizam a limpeza semanal nos pátios e salas e mensal nas calhas e valas, para o recolhimento do lixo jogado em locais indevidos. As mais de 40 lixeiras citadas se referem ao conjunto de quatro recipientes para a destinação correta de plástico, papel, vidro e metal.
Vandalismo
Além do lixo, outro problema pontuado pelo diretor do departamento de limpeza da Unesp, Claudio Martino, seria o vandalismo enfrentado pela unidade ao longo do ano, principalmente nos períodos de matrícula, quando acontecem os trotes.
“É saboneteira, assento de vaso, papel higiênico, tudo eles levam embora ou quebram. Todo ano fazemos a manutenção, mas o dinheiro acaba sendo jogado fora”, afirma Martino.
“Trabalhão”
Segundo a balconista Maria Helena Silva, que trabalha em uma das cantinas da Unesp, a dificuldade para o recolhimento dos resíduos produzidos pelos estudantes é diária. “Mesmo com lixeira ao lado, eles jogam as embalagens no chão ou deixam em cima do banco e da mesa. Como é tudo aberto, o vento bate e espalha ainda mais, dá um trabalhão”, conta.
Mestranda do curso de engenharia de produção da Unesp, a estudante Juliene Leoni, 27 anos, afirma nunca ter jogado seu lixo ao chão, mas confessa que é comum encontrar seus amigos nessa situação. “Eu fico com receio de falar quando vejo alguém jogando o lixo fora da lixeira, mas agora que soube da multa, vou começar a alertar para tentar ajudar a Unesp”, promete a estudante.
Para reverter a situação, o presidente do câmpus de Bauru, Jair Manfrinato, ressalta que o câmpus realizará no próximo mês uma campanha espalhando placas e faixas pela universidade com dizeres sobre educação ambiental. Os problemas também deverão ser discutidos em salas de aula. A instituição também afirma que irá solicitar à Emdurb mais 50 ecolixeiras para reforçar e estimular a limpeza pelos estudantes e funcionários em todos os pontos da unidade.