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Plágio avança e preocupa professores

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

A cena tem se tornado cada vez mais comum. Há poucos dias para a entrega de um trabalho, o aluno não sabe ao certo o que escrever, por falta de conhecimento sobre o tema proposto ou, simplesmente, por preguiça de pensar. E aí entra em cena uma ferramenta tão prática e fácil de usar que fica difícil resistir à tentação: o famigerado Crtl C e Crtl V (copia e cola) do computador (leia mais na página 5).

É só selecionar o que já está escrito, mudar uma ou outra palavrinha e entregar para o professor como se o trabalho fosse uma peça fresquinha de tão original. Com a disseminação do uso da internet e a facilidade de se encontrar praticamente tudo através do Google, em poucos minutos, tem aumentado o número de alunos que resolvem suas tarefas desta forma.

A constatação é feita por professores do ensino médio e também por aqueles que dão aulas no ensino superior, inclusive na pós-graduação. Além dos aspectos éticos e morais que envolvem essa questão, fica a dúvida. Que tipo de profissional ocupará o mercado de trabalho nos próximos anos? Será aquele que colocará sua criatividade a serviço da sociedade ou aquele que usará muletas emprestadas por outros para fazer seu serviço?

“Não sei dizer com que intensidade isso vem ocorrendo, mas é notório que aumentou o emprego do plágio nos trabalhos escolares”, afirma o professor Renato Valderramas, que dá aulas de design, design de modas e jornalismo na Universidade Sagrado Coração (USC). Plágio, segundo definição da Wikipédia (para citar uma ferramenta bastante usada pelos alunos), é o ato de assinar ou apresentar um trabalho intelectual contendo partes de uma obra que pertença a outra pessoa, sem dar os devidos créditos da fonte.

No Brasil, o plágio é considerado crime de violação de direito autoral, cuja pena pode chegar a quatro anos de reclusão e multa.

 

Imperfeições

De acordo com a professora Vanessa Matos dos Santos, dos cursos de jornalismo, relações públicas e publicidade da USC, alguns alunos não fazem a mínima questão de esconder que parte do conteúdo do trabalho foi copiado da Internet. Segundo ela, os alunos pegam trechos em inglês, fazem a tradução usando o Google e cola no trabalho sem ao menos corrigir as imperfeições da tradução, geralmente tosca e meio sem sentido, feita pelo site. “Eles (alunos) acham que nós (professores) não vamos ler o trabalho”, conclui Vanessa.

Tanto ela quanto o professor Renato dizem que ao se depararem com casos de plágio, eles anulam o trabalho e devolvem para o aluno para que seja refeito. Quando se trata de um trabalho de fim de bimestre, quando não há tempo hábil para refazê-lo, o aluno fica com zero.

Renato lembra que, também, por conta dessa disseminação do plágio nos trabalhos acadêmicos, a USC mudou as regras para as apresentações dos trabalhos de conclusão de curso (TCCs).

Agora, os alunos não podem mais protocolar suas produções sem antes submetê-las aos respectivos orientadores. Antes, podia. E quando o orientador descobria o plágio, não havia mais como corrigir o erro.

 

‘Não vale a pena’, diz professor

De acordo com a professora Vanessa Matos dos Santos, dos cursos de jornalismo, relações públicas e publicidade da USC, para o professor não é difícil identificar um trabalho plagiado.

Ela argumenta que sempre desconfia quando um aluno comum (que não é brilhante) apresenta um trabalho acima da média ou escrito de uma forma que não combina com o perfil e estilo do aluno. “Às vezes, acontece de eu ler um texto e identificar nele várias vozes (estilos), menos a voz do aluno”, relata.

Quando se depara com isso, ela conta que procura explorar o lado da autoestima e do orgulho do aluno como forma de mostrar o quanto ele está errado em copiar ideias de terceiros e o quanto é importante ele desenvolver e expressar as próprias ideias.

“Se o aluno insistir no plágio, ele pode simplesmente acabar com a carreira profissional dele se um dia for descoberto. Não vale a pena”, diz o professor Renato Valderramas.

 

Ensino superior

O professor Roger Marcelo Martins Gomes dá aulas para alunos do ensino médio e do ensino superior. Segundo ele, a prática do Crtl C e Crtl V é mais disseminada entre os alunos do ensino médio, até pelo perfil dos alunos, mais jovens e que passam mais tempo navegando na internet. “Eles veem isso com naturalidade, pois faz parte da rotina deles.”

Embora a prática seja condenável em qualquer situação, Roger diz que há um agravante quando ocorre entre alunos do ensino superior. “É mais desagradável nesse ambiente porque banaliza a aula e a prática da pesquisa. Temos de ser muito severos e mostrar o quanto isso é grave”, afirma. 

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