São Paulo - Policiais rodoviários federais começam a partir de ontem uma greve da categoria. De acordo com a FenaPRF (Federação Nacional da Polícia Rodoviária Federal), parte do país iniciou a paralisação a 0h de ontem, mas em alguns Estados os policiais devem parar no decorrer desta semana.
A categoria reivindica reajuste salarial, reconhecimento do nível superior para o cargo de PRF, pagamento de adicional noturno e insalubridade e reestruturação da carreira. Segundo a federação, a defasagem chega a 4.000 policiais no país.
Pela lei, os grevistas precisam notificar a Superintendência da PRF e publicar um informe sobre a greve na imprensa, além de aguardar 72 horas antes de iniciar a paralisação. Por isso, São Paulo e Rio Grande do Norte preveem que seus policiais parem apenas na sexta-feira.
O Distrito Federal deve aderir à greve na quinta-feira. Já Maranhão e Paraná devem se juntar ainda esta semana, mas os sindicatos não souberam precisar a data.
Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Santa Catarina, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Paraíba estão entre os Estados que começaram a greve ontem. Já o sindicato da categoria do Rio Grande do Sul informou que a paralisação de seus policiais começou na última sexta-feira.
A orientação é que os policiais mantenham ao menos 30% do efetivo policial das rodovias federais, conforme a lei prevê. Os policiais estão orientados a atender apenas os casos essenciais e de emergência, como acidentes com feridos e mortos.
Polícia Federal
Policiais federais em greve suspenderam ontem, a emissão de passaportes no aeroporto do Galeão. O atendimento havia sido normalizado na última quarta-feira.
O serviço funcionará somente para os casos de emergência, como viagens para tratamento de doença grave comprovada por atestado médico ou de trabalho, mediante a apresentação de documento.
Os postos localizados nos shoppings Rio Sul, Leblon (zona sul) e Via Parque (Barra da Tijuca) também não estão emitindo o documento.
Amanhã, a categoria fará uma assembleia para decidir se permanece a suspensão da emissão de passaporte. Na manhã de ontem, um grupo de policiais federais fez uma passeata pelo centro do Rio reivindicando a reestruturação da carreira e aumento salarial. Os manifestantes saíram da sede da corporação em direção à Candelária com carros de som, cartazes e faixas.
Em greve há 13 dias, os policiais federais realizaram operação-padrão nos aeroportos do país, que foram suspensas na última sexta-feira por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Demitidos
Doze dias depois do protesto de operários que terminou com sete ônibus incendiados e equipamento destruídos, o Complexo Industrial de Suape voltou a viver momentos de tensão. Sem prévia notificação, centenas de trabalhadores da obra da Refinaria Abreu e Lima foram surpreendidos ontem quando chegavam para iniciar o expediente, após 20 dias de greve, com a informação de que estavam demitidos por justa causa.
Em nota, o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada-Infraestrutura (Sinicon) não fala nas demissões, mas evidencia que elas existiram no seguinte trecho: “Com relação às novas contratações, as mesmas ocorrerão de acordo com a necessidade de cada empresa”. No comunicado, o Sinicon, representante dos 16 consórcios empresariais que atuam na construção da refinaria, limita-se a informar que “desconhece o número de 1.000 trabalhadores demitidos”.
A Petrobras, que considera a Abreu e Lima fundamental para aumentar a produção de derivados, não comentou sobre as demissões, sob a justificativa de que as explicações caberiam às empresas a seu serviço.