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?Reprodução de papéis estimula homofobia?

Tisa Moraes com redação
| Tempo de leitura: 4 min

A reprodução de papéis estabelecidos historicamente para homens e mulheres estimula o preconceito e a violência contra homossexuais. É a chamada heteronormatividade, que transforma a heterossexualidade em normativa dentro de uma sociedade e é legitimada por meio de práticas apreendidas dentro de casa ou por meio de instituições, conforme analisa o presidente do Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual, João Winck.

“A intolerância ao diferente está fundamentada neste modelo de sociedade. Quem foge à regra do homem masculinizado e da mulher feminina vai ser excluído e considerado anormal”, observa ele, que também é professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

A discriminação, inclusive, impõe dificuldades em vários aspectos da vida dos homossexuais, inclusive para conseguir emprego, nuance que será discutida durante a 2ª Semana de Combate ao Preconceito e à Discriminação, lançada oficialmente ontem em Bauru (leia mais abaixo). Para Winck, o preconceito é ensinado inicialmente dentro de casa, por algumas famílias de pensamento dogmático, e reproduzido por algumas escolas e denominações religiosas.

“É claro que há pessoas que conseguem superar esta visão de mundo e entender que todos devem ser tratados como iguais, mesmo que sejam diferentes. É um pensamento que, felizmente, vem ganhando cada vez mais espaço”, pontua.

Ele explica que os avanços conquistados até hoje são fruto do esforço da sociedade civil, que conseguiram, por meio de reivindicações e mudanças de pensamento e atitude, forçar a criação leis e políticas públicas para proteger os homossexuais, negros, mulheres, portadores de necessidades especiais, idosos e famílias de baixa renda. “Estes grupos compõem mais de 90% da população e precisam ter seus direitos garantidos. Estamos em um momento importante de transição, em que as pessoas preconceituosas estão sendo tiradas da sua zona de conforto. Inicialmente, a tendência é verificar o aumento da violência, mas, com o tempo, esperamos que haja uma aceitação e respeito maior por parte desse público mais resistente”, esclarece.

 

Parada

Neste sentido, a Parada da Diversidade, que encerra a programação da semana no próximo domingo, tem uma importante função, segundo Winck. “É uma maneira de naturalizar a existência da diversidade e mostrar que os gays são sujeitos normais. São médicos, engenheiros, pessoas que trabalham e que mantêm relacionamentos afetivos como qualquer outra pessoa”, frisa.

Para Juarez Xavier, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), estudioso sobre discriminação e racismo, a violência e intolerância para com a homossexualidade tem a mesma origem em relação a outras formas de preconceito. “Tudo está associado ao medo, ao receio ao que é diferente, seja o negro, o pobre ou o homossexual. Eles faziam parte do pacote dos fracassados, uma imagem que ganhou corpo no século passado”, elenca.

Tanto é que a primeira ação política de combate ao racismo, em 1978, incluiu também os homossexuais e pessoas de baixa renda. “A questão racial tem um componente singular, porque se esparrama pela história de 500 anos do Brasil, mas isso não significa dizer que o racismo seja maior ou menor do que outras formas de discriminação. Todas elas precisam ser combatidas por meio de políticas públicas, que, se não eliminam o problema por si sós, ao menos contribuem para mudar mentalidades e dissolver preconceitos”, pontua.

Semana da Diversidade

A Secretaria Municipal do Bem-Estar Social e a Associação Bauru pela Diversidade (ABD) lançaram ontem, oficialmente, a 2ª Semana de Combate ao Preconceito e à Discriminação, que será desenvolvida paralelamente à “Semana da Diversidade” e “5ª Parada da Diversidade”. Durante a solenidade de abertura, realizada na recém-inaugurada Gloss Club, houve a entrega do troféu “Eu Faço a Diferença”. O prêmio presta homenagem a personalidades, empresas e instituições que de alguma forma contribuíram para o combate ao preconceito e à discriminação.

Neste ano, a semana é regida pelo tema “Empregabilidade gera Cidadania” e contará, hoje, com pit stop nas principais avenidas da cidade, a partir das 17h30. Amanhã, haverá mesa-redonda com o procurador do Trabalho Luís Henrique Rafael e o professor Rafael Mazzoni para discutir o tema empregabilidade.

Na quinta serão promovidos diversos serviços na Praça Rui Barbosa, como corte de cabelo, preparação de currículos, inscrição no Cadastro Único, divulgação de cursos profissionalizantes e orientações com parceiros da OAB e Centro de Controle de Zoonoses, entre outros. O encerramento será no dia 26, domingo, com a realização da “5ª Parada da Diversidade”, partir das 13h, na avenida Nações Unidas, e apresentação do grupo Teatro Mágico, no Parque Vitória Régia, com expectativa de reunir 50 mil pessoas.

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