A sessão da Câmara Municipal de ontem foi daquelas típicas de período eleitoral: com poucos oradores, muitos parlamentares fora do plenário, pauta curta e adiamento de projetos. Foram cerca de três horas de reunião e a discussão mais relevante girou em torno das deficiências dos serviços de saúde mental no município. O tema se prolongou até o início da troca de provocações entre Roque Ferreira (PT) e Marcelo Borges (PSDB), acerca da histórica rivalidade entre as duas siglas.
O debate foi motivado pela aprovação do projeto de autoria de Paulo Eduardo de Souza (PSB), que cria a “Semana Municipal de Conscientização e Orientação sobre a Saúde Mental”. Os discursos dos vereadores mostraram que o atendimento a essa área regrediu nos últimos anos.
O socialista exibiu vídeos com trechos da audiência pública convocada para discutir as políticas de saúde mental. Além de profissionais do setor, familiares de doentes relataram os dramas com a falta de assistência. Paulo Eduardo elencou diversos diagnósticos para mostrar a abrangência da área e disse que um dos principais problemas é a falta de médicos especialistas em Psiquiatria. “Assim como acontece com a Pediatria. Os profissionais buscam aquelas especialidades mais rentáveis”, lembrou.
Candidata à Prefeitura de Bauru, Chiara Ranieri (DEM) destacou a responsabilidade do município sobre o problema e cobrou o funcionamento 24 horas de uma unidade do Centro de Atenção Psicossocial (Caps). “As pessoas não têm hora para ter crise. Quem sabe a lei não ajude a conscientizar o Executivo”, ironizou.
Roque Ferreira (PT) afirmou que Bauru sofreu retrocesso no atendimento à saúde mental e Marcelo Borges endossou o discurso, lembrando a revolução no setor sob a gestão do falecido Davi Capistrano à frente da Secretaria Municipal de Saúde, durante o primeiro governo de Tuga Angerami, na década de 1980.
Chumbo trocado
O tucano aproveitou as críticas de Roque ao sistema atual e disse que o petista é responsável pela situação, pois ajuda a sustentar a gestão atual, de Rodrigo Agostinho (PMDB). Ferreira rebateu, alegando que combate o chamado ‘governo de coalisão’ e lembrou que o prefeito e sua adversária, Chiara, posam para fotos juntos em eventos sociais. “É tudo a mesma coisa. O eleitor tem que escolher na moedinha”, ironizou.
A partir disso, a troca de chumbo ganhou caráter folclórico e ambos arrancaram risos dos presentes. Marcelo lembrou algumas práticas do governo federal do PT, combatidas por Roque, como o recente pacote de concessão de rodovias. O tucano também criticou a aliança dos petistas com o PP de Paulo Maluf, em São Paulo, mas logo foi lembrado do apoio do ex-governador do Estado a Fernando Henrique Cardoso (PSDB).