Depois de um certo período de anonimato retorno a este ilustre e importante espaço democrático de nossa cidade para me manifestar acerca de fatos deveras desagradáveis. Mas vamos ao que interessa. O presente artigo que ora redijo destina-se a criticar algo corriqueiro mas que é muitíssimo grave, o problema da saúde, ou melhor dizendo, a falta dela. Recentemente, em nossa cidade, uma cidadã de nome Drielly Carla Alves de Brito dirigiu-se ao Pronto-Socorro Central em busca de atendimento para sua pedra na vesícula. Problema em princípio simples de se resolver com um atendimento primário e, se necessário, posteriormente, encaminhamento para que se submetesse a uma cirurgia para extração das pedras, mas que devido à demora nas providências necessárias este migrou para outro problema, o vírus H1N1, que é o vírus da gripe que, na verdade, é um subtipo do vírus influenza, causador da gripe comum.
Diante de um jogo de empurra incansável por parte dos que deveriam ser responsáveis pelo atendimento a essa jovem cidadã, de apenas 22 anos, que tinha uma vida inteira pela frente, mas, que em virtude de um total despreparo ou falta de vontade de quem presta esse desserviço à população pagadora de impostos, que convenhamos não são poucos. Todos sabemos que recursos existem sim, mas o maior obstáculo é que esses mesmos valores não são bem administrados por quem tem o dever ou deveria se responsabilizar por tornar o sistema de saúde mais humano e mais acolhedor. Onde, ao menos, se não desse para resolver uma situação que necessita de certo atendimento e cuidados, que pelo menos esses recebessem uma primeira providência e que se buscasse incessantemente por todo e qualquer meio o socorro a àquele ou àqueles que necessitassem de atendimento.
A verdade mesmo é que ninguém é capaz de assumir as responsabilidades acerca do problema e assim um joga a culpa em cima do outro. É muito fácil, agora que ela já morreu, falar o que poderia ou deveria ter sido feito porque não dá mais mesmo para fazê-lo... Urge que o sistema de saúde seja todo reformulado e que não morra mais inocentes que, desprovidos de recursos financeiros, não podem pagar por um plano de saúde particular. Até porque, embora não se desembolse no ato do atendimento um valor específico ou mesmo ninguém receba em sua residência um boleto para pagar o serviço prestado pela saúde pública, todos os cidadãos são pagadores de pesados impostos e não há escassez de recursos para a saúde. O que há mesmo é um total desrespeito para com o usuário que se sujeita a toda e qualquer espécie de desrespeito na porta dos postos de saúde e pronto-socorros, chegando até mesmo a pernoitar na recepção dos mesmos e, às vezes, tendo que levar filhos menores para também receber cuidados.
Alguns questionamentos: Será preciso que mais "Driellys" morram na porta dos hospitais públicos de nossa cidade? Será que a saúde é um luxo e aquilo que está disposto no art. 6º de nossa Constituição é só para fazer volume na mesma? Para que servem as upas recém-inauguradas em nossa cidade? Será que são somente um chamariz para os bairros ou serão utilizadas para o fim a que se prestam, servir de pronto-atendimento para aqueles que necessitam? Será que as providências serão tomadas logo ou só na véspera da eleição municipal, hein, caro prefeito e ilustres representantes do poder legislativo de nossa cidade? Será que Bauru em seus 116 anos tem algo a comemorar? Com a palavra, os responsáveis pelo atendimento médico nos postos de saúde, Pronto-Socorro Central e representantes do povo de nossa cidade de Bauru. Desculpem o desabafo e obrigado a todos pela atenção.
Rodrigo Cabello da Silva