Tribuna do Leitor

Casablanca


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Aos meus amigos cinéfilos e apreciadores do tema, da região, e, especialmente, de Gália e Bauru: Casablanca, filme inesquecível, clássico dos clássicos, sob a competente direção de Michael Curtiz, produzido pela Warner, nos Estados Unidos, em 1942, portanto, neste ano de 2012, completa 70 anos. Reconhecido como o maior romance da história, vencedor de três Oscars, em 1943. O filme é magistral: o elenco, a música, os momentos, os diálogos e lugares são perfeitos. Acontece no auge da Segunda Guerra Mundial. Cada vez que assisto, ou melhor, revejo este filme, é como se fosse pela primeira vez: ao término, já antecipo, reservo novo ingresso para a próxima sessão.

Everybody Comes to Rick´s ("todo mundo vem ao café de Rick"), uma obra nunca encenada, posteriormente, o filme do projeto foi rebatizado de Casablanca. No Rick´s Café - Casa Noturna, a mais conhecida da cidade, o ambiente e clima, despertam-me o desejo de um dia ter me embriagado de champanhe ao lado de Ingrid Bergman, acompanhado da música As Time Goes By (Com o Passar do Tempo), letra e melodia maravilhosas. Mas antes reservaria uma mesa bem próxima do casal Humphrey Bogart (Rick) e Ingrid Bergman (Ilsa), vizinha de Sam (Dooley Wilson) e piano. Em dado momento, me aproximaria de Rick, mundano e desiludido, e diria: Posso acender o seu cigarro? Na oportunidade, lhe mandaria um bom conselho, um ultimato: corra, corra! Não perca esta última chance, vá embora com ela já! Agora! Pegue o avião para Lisboa! No entanto, Rick, que se dizia neutro em todos os campos, agora, encontra-se numa encruzilhada: ajudar ou não Ilsa Lund e seu marido Victor Lazlo a fugir para Portugal e continuar a sua luta contra os nazistas. O visto ou passe dava "direito", apenas, a duas pessoas. Ugarte, um pequeno criminoso, assassina dois mensageiros alemães e apodera-se dos passes letters of trânsit ("cartas de trânsito") para depois vendê-las. Ugarte é perseguido e morto, no Bar, pela polícia local. Mas, antes, imediatamente, entrega as "cartas" ao Rick, o único de sua confiança.

Voltando um pouquinho na história do filme, Rick é abandonado por sua ex-amante (Ilsa) na estação de trem, exatamente no dia em que os nazistas invadiram Paris. Na estação, aguardando por ela, sob a chuva, sem entender o que está acontecendo, toma o trem e vai embora sozinho, desnorteado. Ilsa, ao apaixonar-se por Rick, imaginava que o seu marido (Victor) havia sido morto num campo de concentração nazista, mas neste ínterim descobre que ele está vivo. A partir deste episódio, as coisas mudam. No Rick´s Café, na cidade marroquina do título, clientes como nazistas, aliados, ladrões e refugiados, com os soldados de Hitler em seus calcanhares, disputam, desesperados, as tais "cartas", ao preço de milhares de dólares para a fuga em um avião noturno com destino a Portugal, país neutro, em Lisboa e, posterior embarque, em navio, com destino ao Novo Mundo.

O reencontro: já em Casablanca, ela vai ao Rick´s, à procura dos passes. Cena antológica: Ilsa encontra seu velho amigo pianista-cantor e quase lhe implora: "Play it, Sam" (toque As Time Goes By). Momento sublime, aconchegante; Rick, ao sair do escritório - anexo ao salão do bar -, ouve a música: lembra-se da primeira vez com ela... Atormentado e perplexo, ele vai diretamente até o piano e, irritado, diz: eu já lhe disse para nunca mais tocar esta música! Nisso, a grande surpresa: avista-a junto ao piano. Cena deslumbrante, ambos chiquérrimos, pura elegância, frente à frente, olhos nos olhos. Tudo recomeça. Neste momento, o espectador transporta-se para a tela, encarna, vivencia os personagens.
Em outra cena, depois de um longo período, o desencontro na estação de trem em Paris, eis o monólogo: "Lembro-me bem desse dia, os alemães vestiam cinza e, você, azul", diz ele a ela. Em outro momento, "e nós, Rick"? Pergunta ela. "Nós sempre teremos Paris", ele responde.

A excelente interpretação de Claude Rains, como o corrupto Capitão Renault; Peter Lorre (Ugarte), como criminoso foragido; o marido de Ilsa, de quem ela gosta e preza muito, Paul Henreid (Victor Lazlo), líder da resistência Theca. Enfim, Um filme mágico, imperdível, uma volta a um passado glamouroso, em que quisera ter me incluído, vivido aqueles momentos inesquecíveis! Quem não assistiu Casablanca, recomendo. PS: A cidade tinha o nome de Dar el Beida (em árabe "Casa Branca", e Casablanca em castelhano), localizada no Marrocos, país muçulmano, norte da África. Em 1907, foi ocupada e colonizada pelos franceses, que promoveram o seu desenvolvimento econômico. Em 1956, o Marrocos obteve a sua independência da França. De clima mediterrâneco, Casablanca, hoje com mais de 5 milhões de habitantes, é uma importante cidade portuária, centro industrial e comercial.

Laerte Mazetto

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