Uma pesquisa recente feita pelo Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), que recruta e seleciona estagiários, demonstrou que estudantes do curso de comunicação social tem tido mais dificuldade em acertar questões de língua portuguesa e fazer uma redação em testes de trabalho, do que os alunos, por exemplo, de engenharia. No estudo, os estudantes de exatas estão acertando mais testes de português e escrevendo melhor do que os de comunicação social. Segundo a coordenadora de Recrutamento e Seleção do Nube, Natália Caroline Vargas, os dados obtidos pela pesquisa revelam um pouco como está o mercado: "Temos muitos candidatos, mas poucos qualificados para algumas áreas". E destacou que "muitos escolhem a profissão sem ter noção do que acontece no dia-a-dia. Alguns escolhem jornalismo achando que vão apenas aparecer na TV e não fazer vários tipos de matérias diferentes, como acontece". O fato é que esta deficiência acaba prejudicando muitos jovens que desejam ingressar no mercado de trabalho, pois carecem de uma ferramenta fundamental: a comunicação. Não se comunicam bem, não sabem se expressar bem, inclusive no texto escrito. E mais ainda: não conseguem ler bem um texto e interpretá-lo.
O corre-corre do dia-a-dia, a linguagem rápida e abreviada que se usa pela Internet, pode causar um efeito corrosivo na capacidade de redigir bem um texto e saber ler de modo adequado, pois a falta de leitura é considerada um dos fatores que empobrecem a capacidade dos jovens em fazer uma boa redação. É interessante observar que está havendo, por causa disso, uma procura por cursos de português. Mas não basta somente um breve curso. A solução é criar o hábito da leitura. Não apenas de informações jornalísticas, mas, principalmente, de livros, e de boa leitura.
Não adianta também os alunos se interessarem por outros idiomas, como inglês e espanhol, e ficarem deficientes no português. Não resolve. Primeiro é preciso se expressar bem em nossa própria língua, para depois se aprofundar em outras. Temos que, nesse sentido, desde o ensino básico, estimular as crianças, adolescentes e jovens à boa leitura, não somente de entretenimento, mas textos de reflexão, que os façam aprender a pensar, a situar-se no contexto em que vivem, a terem um pensamento crítico. Daí a leitura de romances, livros de histórias, filosofia, ciência, religião, política, etc. A pesquisa chama a atenção para esta realidade e não podemos ficar indiferentes a isso. Somente com o hábito da leitura (desde cedo) é que poderemos suprir esta deficiência e preparar melhor nossos jovens ao mercado de trabalho e à vida...
João Álvares