Exposição de fotografia, objetos em cerâmica, instalação sonora, projeção em vídeo, intervenções em stêncil e um jardim feito em papel, argila, plástico e sucata. Estes são alguns dos suportes e técnicas dos cinco projetos escolhidos pelo projeto “A Cidade que é a Nossa Cara”, desenvolvido pelo Instituto Arte na Escola, em parceria com o Polo Unesp, junto com a Secretaria Municipal de Educação de Bauru e patrocínio da Tilibra via Lei de Incentivo do Governos do Estado de São Paulo (Programa de Ação Cultural Proac). Os professores selecionados para o desenvolvimento de projetos foram Gisele d’Ávila F. Di Donato (Escola Maria Chaparro Costa), Ellen Carla Cesar de Souza (EMEI José Toledo Filho), Natasha Madureira Silva (EMEF Profª Dirce B. G. de Azevedo), Mariadne Beline (Colégio Abigail Flora Horta) e Sérgio Segal C. da Silva (Escola Lourdes de O. Colnaghi).
Os cinco projetos escolhidos foram beneficiados com um incentivo no valor de R$ 2500,00 para sua viabilização. Os professores já iniciaram a produção e o desenvolvimento deles e a cerimônia de entrega dos certificados acontecerá dia 29 de novembro. “Os cinco trabalhos são surpreendentes”, afirma Mirca Bonano, do Instituto Arte na Escola e coordenadora do projeto. “Acho que o curso trouxe uma questão importante para a educação que é a humanização”, diz. Segundo Mirca, apesar do curso ter sido coletivo, durante a capacitação os professores puderam ser olhados individualmente e essa atenção foi fundamental para o desenvolvimento dos projetos. “E é uma questão fundamental para a educação, olhar cada professor como um universo de possibilidades”, conclui.
Um dos selecionados foi Sérgio Segal, docente do 5º ano do Ensino Fundamental da Escola Lourdes de O. Colnaghi. A intervenção “Retra[LA]tos – A cidade que minhas lembranças inventam” trata da relação da cidade com a memória. Após passear ‘à deriva’ com seus alunos, Sérgio irá captar depoimentos em áudio e vídeo e vai promover uma intervenção sonora em um veículo de som alugado que mostrarà A comunidade os sons criados pelas crianças, além de projeção em vídeo em paredes de prédios da cidade chamada vídeo mapping.
“Para mim está sendo muito bom poder trabalhar com material de qualidade com os alunos”, conta Sérgio. “Se não tivesse sido selecionado, não poderia desenvolver esse projeto. E é muito bacana também proporcionar esse contato dos alunos com a tecnologia’, afirma. Para ele, os cursos de formação foram fundamentais e estão rendendo novos encontros. “Estamos montando um grupo de estudos de arte contemporânea”, revela.
Resumo dos projetos selecionados
Retra[LA]tos
Sérgio Segal C. da Silva
O músico e professor Sérgio Segal C. da Silva criou a intervenção Retra[LA]tos – A cidade que minhas lembranças inventam para ser desenvolvida junto com os alunos do 5º ano do ensino fundamental da Escola Lourdes de O. Colnaghi. O nome do projeto é uma junção das palavras retratos e relatos. A partir de caminhadas ‘à deriva’ na cidade, os alunos farão registros fotógrafos e em vídeo, e captarão sons para uma série de trilhas sonoras que exibidas em espaço público. As imagens geradas servirão de matéria prima para intervenções de vídeo mapping realizadas em prédios e lugares definidos pelos alunos.
Trabalho/Arte-Arte/Trabalho Gisele d’Ávila F. Di Donato
Projeto se inspira no trabalho da artista Mônica Nador. A pintora, desenhista e gravadora paulista faz intervenções de arte em stêncil junto a comunidades como o Jamac (Jardim Miriam Arte Clube), ONG criada por ela na zona sul paulistana. Baseada nisso, a professora Gisele propôs que fossem feitas intervenções nas casas dos alunos do 3º ano da Escola Maria Chaparro Costa. A intervenção será a pintura de uma ou mais casas dos alunos do projeto, envolvendo também os pais. “Tive essa idéia ao avaliar a comunidade escolar e observar a paisagem ao redor da escola, com casas mal acabadas, sem pintura”, afirma ela.
A Arte Fotografada no Ambiente de Trabalho
Ellen Carla Cesar de Souza
O projeto da professora Ellen de Souza, da EMEI José Toledo Filho, busca na fotografia um meio de representação da realidade dos seus alunos. A proposta é que os 17 alunos do Maternal II fotografem os profissionais da escola, tragam fotografias dos pais em ambiente de trabalho e fotografem profissionais que atuem em estabelecimentos no entorno da escola, nos bairros Nova Esperança e Bauru XVI. “A ideia foi motivada pela observação de que os alunos permanecem mais de dez horas na escola, distantes da família. E a principal razão disso é o trabalho dos seus pais”, afirma a professora.
Sentidos - Mariadne Beline
Um jardim de ‘flores imaginárias’ confeccionadas pelas crianças do colégio Abigail Flora Horta é o projeto da professora Mariadne Beline, intitulado Sentidos. A intervenção acontecerá no Vitória Régia, nas imediações da escola, e participarão 65 crianças, de dois a cinco anos. Será realizada uma intervenção com um grande canteiro, um jardim com flores imaginárias produzidas em papel, argila, plástico e sucata pelas crianças. O espaço será demarcado e todos os participantes poderão ‘plantar’ uma flor formando um belo cenário. A Polícia Militar se propôs a fazer fotos aéreas deste cenário com o helicóptero Águia para registro.
Construção e Reconstrução de Caminhos: Eu e Meu Mundo
Natasha Madureira Silva
A professora de Artes da EMEF Profª Dirce B. G de Azevedo desenvolveu uma atividade que conta um pouco da história do bairro de Tangarás, onde existe uma fábrica de cerâmica há mais de 30 anos. Sua ideia é que os 96 alunos de 4º e 5º ano se aproximem dessa história, conheçam a fábrica, aprendam a trabalhar com cerâmica e construam peças que trabalhe com os conteúdos de sua própria identidade. “Quero que eles criem, pintem e escrevam suas identidades nas peças confeccionadas em cerâmica e que também se apropriem da cultura ceramista do bairro”, afirma Dirce.