Brasília - O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) orientou o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, a cortar o ponto dos agentes da PF que participaram anteontem da chamada “operação sem padrão” na Ponte da Amizade, entre Brasil e Paraguai.
O protesto consistiu na ida de agentes ao local, que se algemaram na ponte, de acordo com Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais).
No memorando, Cardozo determina que o chefe da PF entregue um relatório com a “verificação dos servidores que efetivamente não prestaram serviço nos dias de ontem (anteontem) em decorrência de paralisação ou greve, para fins de anotação administrativa das respectivas ausências”.
Ele pede ainda que as chefias nos Estados adotem “rigorosamente o mesmo procedimento” em casos semelhantes. Cardozo também determina que os órgãos de corregedoria internos apurem “atos ilícitos e/ou infrações funcionais praticados por servidores”.
A operação dos agentes da PF recebeu esse nome diante da decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) de proibir a operação-padrão, que provocou fila em aeroportos em todo o país.
Segundo a Fenapef, apenas três agentes da PF atuam na Ponte da Amizade, e todos trabalharam anteontem no local.
Ainda ontem, a mesma operação será realizada em aeroportos de São Paulo e Espírito Santo, disse a federação. Na noite de ontem, representantes da categoria têm encontro agendado com o Ministério do Planejamento.
Congonhas
Um grupo de policiais federais fez um protesto na manhã de ontem no aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. O grupo distribuiu panfletos e fez apitaço no saguão e ao redor do aeroporto.
Os policiais, porém, não realizaram operação-padrão, que foi proibida pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). A operação consiste em uma vistoria detalhada da bagagem e dos documentos dos passageiros, e costuma provocar filas e atrasos em aeroporto.
Chefes entregam cargos
Em greve desde a última segunda-feira, os agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que exercem funções de chefia entregaram seus cargos à superintendência regional do Rio de Janeiro na manhã de ontem. O ato simbólico foi assinado por 50 policiais em cargos de chefia e subchefia de equipes de todo o Estado. Os agentes tentam pressionar o governo federal a retomar as negociações com a categoria e a melhorar as condições de trabalho da PRF.
De acordo com o Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais do Rio de Janeiro (Sinprf), apenas 30% dos policiais estão atuando nas rodovias federais.