Política

Engenheiro aponta novos erros em obra de galerias

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Mais um problema referente às obras de galerias pluviais contratadas pela Prefeitura de Bauru junto à empresa Demop veio à tona na sessão legislativa de ontem. A pedido do vereador José Roberto Segalla (DEM), o engenheiro Carlos Marques, ligado à Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag), apontou diversos problemas na execução dos serviços no canteiro do Jardim Marília, especificamente na rua Brasilino Carvalho.

O profissional afirmou que a impressão é de que duas obras diferentes estão sendo realizadas no mesmo local, em razão da gritante diferença na qualidade do serviço em diversos pontos. Marques atribuiu o cenário à possível terceirização da mão-de-obra pela Demop.

O engenheiro da Secretaria Municipal de Obras, Beto Gebara, garante, porém, que a própria Demop executou o serviço. No entanto, recentemente, o Jornal da Cidade publicou que a empresa estava ‘quarteirizando’ a obra com a autorização do município, mas sem seguir os trâmites burocráticos, como a análise de documentação pela Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos.

No canteiro de obras, há grande quantidade de material quebrado, indicando que parte da obra foi refeita. Gebara confirma que, há cerca de quinze dias, a fiscalização da Obras ordenou a troca de caixas que foram construídas fora do padrão. No entanto, diz que os tubos avistados já chegam com rachaduras e não são aceitos pela prefeitura.

O fato justifica o atraso na obra, que começou há seis meses e já tira a paciência de moradores do bairro. Beto pondera ainda que o serviço atrasou em razão da necessidade de alguns reparos e adequação nas redes pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE). A autarquia, aliás, estava ontem executando parte deste serviço. A autarquia confirmou que recuperou e reconstruiu parte do sistema, o que diz ser comum nesse tipo de obras. Contudo, a previsão é de que a Demop entregue as galerias ainda esta semana.

Foram instalados em toda a extensão da rua Brasilino Carvalho, cerca de 770 metros de tubos de concreto, um dissipador, 21 caixas de conexão, 7 poços de visita e a construção das 28 bocas de lobo.

 

Fora do padrão

Carlos Marques, em reportagem da TV Câmara, apontou que bocas de lobo e caixas de visita estão fora do padrão. Além disso, os poços de visita não chegam ao nível do solo, tubos estão entupidos e caixas não estão fechadas, colocando em risco todo o serviço já feito. “Uma chuva pode jogar terra lá dentro”, apontou.

O engenheiro do município, Beto Gebara, argumenta que a situação constatada pelo profissional que representa a Assenag se dá porque as obras ainda não foram concluídas. “Um ‘pescoço’ vai levar o ponto de visita até o nível do pavimento. Isso já estava programado. Já as estruturas não foram fechadas porque as tampas demoram para serem feitas”, afirmou.

Segundo Marques, a abertura, aliada à falta de sinalização do canteiro de obras, põe em risco a segurança de pedestres e motoristas, além de ser prejudicial à saúde pública. “Podem aparecer bichos peçonhentos. Qualquer criança pode tentar entrar lá”, comenta.

Gebara alega que o canteiro foi sinalizado. “A garotada tira tudo. Não só lá no Jardim Marília, como em qualquer lugar”, conta.

O secretário municipal de Obras, Eliseu Areco, informou ao Jornal da Cidade que desconhecia a situação do caso específico, mas enfatizou que, em casos de desconformidade com os padrões exigidos, a prefeitura não paga pelo serviço e exige que este seja refeito.

 

Trabalhadores

O vereador José Roberto Segalla abordou ainda a condição precária a quais são submetidas os trabalhadores que atuam nas obras do Jardim Marília. Eles alegam trabalhar para a Demop. Na semana retrasada, quatro disseram estar sem receber seus salários e, uma semana depois, segundo o parlamentar, dois teriam abandonado o serviço.

Eles contam ser do Nordeste e estariam morando em alojamentos que não dispõem sequer de energia elétrica. Outra informação que chamou a atenção foi de que esses trabalhadores teriam sido contratados como ajudantes, mas atuavam como especialistas.

Além disso, o engenheiro Carlos Marques constatou que eles trabalhavam sem os equipamentos de segurança necessários.

Tanto Eliseu Areco quanto o engenheiro Beto Gebara alegaram desconhecer a situação. Vale lembrar que, no primeiro caso de ‘quarteirização’ pela Demop, a empresa Fortuza largou as obras e teve dificuldade para pagar os trabalhadores, atrasando o cronograma de 30 quilômetros de galerias contratados pela prefeitura, fundamentais para o plano de asfalto do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). 

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