Esportes

Basquete: Vitória na raça

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 6 min

O técnico Guerrinha alertou para as dificuldades em Rio Claro e foi justamente o que ocorreu, ontem à noite, pela segunda rodada do Campeonato Paulista. O Paschoalotto/Bauru oscilou durante o jogo e encontrou uma “pedreira”. Se não foi na base da técnica, a dramática vitória veio ancorada na garra e, após empate em 74 pontos no tempo regulamentar, o time se impôs na prorrogação e venceu por 88 a 81. Invencibilidade mantida, Bauru volta a jogar na próxima quinta-feira, às 20h, no ginásio Panela de Pressão, contra o Franca.

A partida marcou a estreia do ala/pivô DeAndre Coleman, que teve sua documentação regularizada a tempo de reforçar a equipe e já mostrou seu cartão de apresentação com um duplo-duplo de 14 pontos e 11 rebotes. Por outro lado, o time não contou com o armador Larry Taylor, que ganhou folga e retorna aos treinos no dia 28. O cestinha do confronto foi ala/armador Will, de Rio Claro, com 27 pontos. Houve um tríplice empate entre os maiores pontuadores do Bauru, todos com 14 pontos. Além de Coleman, Gui e Ricardo Fischer também ficaram a mesma pontuação.

 

Jogo

O primeiro quarto foi equilibrado. O Bauru chegou a abrir uma pequena vantagem no começo, mas não conseguiu ampliar a diferença. O time esteve sempre à frente do placar, mas, nos instantes finais, o Rio Claro conseguiu se aproximar e terminar apenas um ponto atrás: 18 a 17. O extremo equilíbrio seguiu no início da segunda parcial. No entanto, o time bauruense caiu de produção e Rio Claro passou à frente a pouco mais de dois minutos do intervalo, 32 a 30. A seguir, Vinícius fez cesta de dois pontos, sofreu falta e converteu o lance livre, elevando a distância para cinco pontos. O Paschoalotto seguiu em seu momento de instabilidade e sofreu contra-ataque, que culminou em mais dois pontos para os donos da casa. A resposta veio com Jeff, após assistência de Pilar. No entanto, o Paschoalotto não se encontrou e terminou sete pontos atrás: 42 a 33.

O Paschoalotto voltou com outra postura para o terceiro quarto e protagonizou uma reação avassaladora. Agressivo em quadra, o time passou a dominar as ações e encurtou a distância para três pontos em menos de três minutos. Com defesa eficiente, Bauru encostou em cesta de Coleman e a virada veio com Jeff, que fez de dois e ainda sofreu a falta e anotou o lance livre: 47 a 45, restando 5min49. Rio Claro respondeu com cesta de três de Will e voltou a ficar em vantagem. Os times passaram a se alternar à frente. Porém, novamente o Bauru oscilou e acabou permitindo que Rio Claro crescesse na partida. Os donos da casa se reencontraram e fecharam a parcial com os mesmos nove pontos de dianteira, 63 a 54.

O Paschoalotto, mais uma vez, conseguiu reagir no quarto final. A dois minutos do fim do jogo, John Thomas converteu bandeja para deixar a equipe bauruense apenas dois pontos atrás: 70 a 68. O empate veio com Ricardo Fischer cobrando lances livres. O final ficou dramático. A 26 segundos do fim, Rio Claro vencia por dois pontos. Jeff sofreu falta e acertou um dos lances livres. Na sequência, Bauru fez falta em Atílio, que desperdiçou um de seus arremessos. Com a posse de bola, Guerrinha pediu tempo para armar a jogada. Ricardo sofreu falta e empatou o jogo em 74 pontos e decretou a prorrogação. Mais equilibrado no tempo extra, o Bauru não deu mais chances para o Rio Claro. Dominou os cinco minutos e ganhou o jogo por 88 a 81.

 

Marcelinho Machado anuncia aposentadoria da Seleção

O ala Marcelinho Machado anunciou ontem que está deixando a Seleção Brasileira de basquete. Aos 37 anos, sendo 15 deles dedicados à camisa do Brasil, o jogador conseguiu realizar o sonho de disputar uma edição das Olimpíadas neste ano, em Londres, e agora quer deixar espaço para os mais jovens.

“Olho para tudo o que passei com a camisa do Brasil e me sinto orgulhoso. Sempre me doei ao máximo, me entreguei ao máximo para defender o meu País, nunca recusei uma convocação, vivi muitos momentos bons, passei por uma fase ruim do nosso basquete, e fico feliz de estar me despedindo da seleção brasileira vendo o nosso basquete forte novamente. A participação nas Olimpíadas de Londres, mais do que um sonho que eu tinha, fechou com chave de ouro essa minha história com a camisa do Brasil”, comentou.

A fase ruim citada por Marcelinho começou em 1997, ano de sua primeira convocação, e durou até o ano passado, quando a Seleção masculina finalmente conseguiu retornar aos Jogos Olímpicos, depois de 16 anos de ausência. Mesmo tendo voltado de Londres sem nenhuma medalha, o ala exaltou a participação e apontou o Pré-Olímpico de Mar del Plata, no ano passado, no qual o Brasil conseguiu a vaga olímpica, como um dos pontos altos de sua carreira.

“Poderia dizer que faltou uma medalha, um título, mas não, prefiro valorizar tudo o que conquistei com o Brasil. Foram muitas conquistas, algumas muito especiais, como o Pan do Rio, em 2007, e a vaga olímpica em Mar del Plata, ano passado, mas todas igualmente importantes para mim. Meu ciclo com a Seleção Brasileira acabou, há outros jogadores vindo que vão representar bem o Brasil e ocupar o meu lugar. E fico feliz que tenham sido 15 anos de muitas alegrias e boas lembranças”, apontou.

Apesar da aposentadoria da Seleção Brasileira, Marcelinho deixou claro que seguirá atuando pelo Flamengo e que ainda não pensa em abandonar o basquete. Vestindo a camisa do Brasil, o ala atuou em 244 partidas, nas quais marcou 3.408 pontos. Ele foi três vezes medalhista de ouro em Jogos Pan-Americanos (1999, 2003 e 2007), bicampeão da Copa América (2005 e 2009) e disputou quatro edições de Campeonato Mundial (1998, 2002, 2006 e 2010).

 

‘Ganhamos um jogo perdido’, afirma técnico Guerrinha

O resumo da vitória do Paschoalotto, ontem, pode ser medido por uma frase do técnico Guerrinha: “Ganhamos um jogo perdido”. O treinador analisou todo o contexto das dificuldades enfrentadas por sua equipe em Rio Claro. “Jogar fora de casa sempre é difícil. Contra um time que tem qualidade, jogou em casa e no início de temporada é isso. Temos que entrar com atenção redobrada, tem muitos altos e baixos”, alerta, em declaração à webrádio Jornada Esportiva.

O treinador, campeão como jogador do Pan-Americano em Indianápolis-1987 em cima dos Estados Unidos, recebe homenagem hoje da Confederação Brasileira de Basquete, juntamente com os demais atletas daquela equipe pela conquista, que completa 25 anos exatamente nesta data. A vitória do Brasil por 120 a 115 foi a primeira que os EUA sofreram em seu território e consagrou a geração do então armador Guerrinha na Seleção. 

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