Polícia

Carro de luxo é recolhido no litoral

Bruna Dias com Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Dando sequência às investigações que culminaram na “quebra” de uma quadrilha milionária de traficantes de Bauru, a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), apreendeu ontem uma BMW X6, com placas EWR 7971 de Bauru, avaliada em R$ 380 mil.

A ação é considerada um dos pontos-chave da investigação, já que, no último dia 9 de agosto, o suposto “cabeça” do bando investigado, Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, 27 anos, teria saído de casa com ela, após uma briga com sua esposa. (leia mais abaixo)

O caminho até a localização do automóvel foi “tortuoso”. Informações privilegiadas levaram a polícia a suspeitar que, supostamente, Neto estaria usando um celular de área 13, código de telefonia de algumas cidades do litoral de São Paulo.

Em função destas informações, a Polícia Civil contou com apoio do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior - 6 (Deinter-6) para chegar até o local onde o veículo estava localizado.

“Contamos com o apoio do Grupo de Operações Especiais (GOE) de lá, que ficou monitorando o veículo 24 horas. Sabemos que ele foi deixado no 3º piso do estacionamento do shopping no dia 11 de agosto, às 20h, por uma mulher loira ainda não identificada, de sotaque interiorano”,  disse  o delegado Ricardo Dias, titular da Dise.

 

Tudo planejado

O delegado acredita que tudo foi milimetricamente planejado. Este carro só pode ser aberto com uma chave especial, que funciona com um sensor. “Além disso, o seu sistema automático não permite que seja rebocado por outro meio que não seja por um guincho, já que ao posicionar o câmbio do carro na posição parking (P), o sistema de freios também é acionado. Se tentássemos arrastá-lo danificaríamos o veículo”, explicou.

Então, como remover o veículo? Com um guincho. Mas a máquina não conseguiria fazer este serviço dentro do estacionamento coberto, em caracol. A solução foi pedir ajuda para mecânicos da concessionária autorizada e de um chaveiro, para abrir o carro. A equipe da Dise chegou a São Vicente nesta segunda-feira e retornou com a BWM X6, apreendida no guincho, na madrugada de ontem. O automóvel deve ficar no pátio da 5ª Ciretran de Bauru até outra decisão judicial.


Sequestro

O delegado Ricardo Dias, da Dise, afirmou que irá pedir o sequestro de todos os bens que, até o momento, estão relacionados aos três supostos membros da quadrilha: Neto (foragido), Ivan de Oliveira Campos Bueno, 29 anos, o gerente e o “intelecto” da quadrilha; e Marcos Gabriel Canali Sanches, 24 anos, o “braçal” (ambos presos no CDP de Bauru).

A medida cautelar é assecuratória para que não haja comercialização dos imóveis e veículos que constam nos nomes dos três acusados. No total foram apreendidos diversos veículos sendo eles Fusion, New Fiesta, Fiesta, Strada zero quilômetro, Palio, Saveiro, Courier, Uno Mile, Santana, Lange Rover (apreendida em 10 de agosto) e BMW X6 (apreendida nesta segunda-feira).

“Pediremos um ofício ao órgão de trânsito bloqueando todos estes veículos, inclusive outros que estamos investigando”, acrescentou Dias.

Mais de cinco imóveis, além dos dois postos de combustíveis e dois lava-car, ainda continuam sendo alvo de investigações em outro inquérito que apura suposta lavagem de dinheiro. “Queremos saber com os antigos donos dos imóveis como foram as transações para as aquisições”, finalizou.


Procurado

A Polícia Civil divulgou ontem a foto de Neto (foragido), tirada há pouco mais de 20 dias, durante as investigações. “Nós pedimos à população que denuncie o Neto através dos telefones 181 e 197. Uma característica marcante dele é a tatuagem de índio nas costas. A identidade do denunciante é mantida em sigilo”, diz o delegado Ricardo Dias.

 

Milionária y

Depois de quatro meses de investigações, a Dise chegou a uma possível quadrilha milionária de três jovens supostamente envolvidos em tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A operação para a prisão do suposto “cabeça” do bando, Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, 27 anos, de Ivan de Oliveira Campos Bueno, 29 anos, o gerente e o “intelecto” da quadrilha; e de Marcos Gabriel Canali Sanches, 24 anos, o “braçal”, foi deflagrada em 9 de agosto.

Cifras imensas davam a dimensão da movimentação de dinheiro. Apenas uma das anotações trazia um montante de R$ 2 milhões a receber. Na ocasião o chefe da quadrilha conseguiu fugir de uma residência na Vila Universitária com seu carro, a BMW X6. Os outros dois foram localizados e detidos. Ivan Bueno estava em uma casa na Vila Santa Clara e Marcos Sanches em um condomínio em Piratininga.

Até o momento, Bueno e Sanches seguem presos em uma unidade prisional de Bauru. O primeiro mandado de prisão temporária de ambos era de 15 dias, foi renovado e vence no dia 28 de agosto (terça-feira).

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