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Indicadores sociais

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Normalmente o desempenho de um país é avaliado a partir dos indicadores econômicos. Produto Interno Bruto em crescimento, inflação sob controle, robusta reserva cambial, balança comercial superavitária, entre outros, são alguns dos indicadores que governos e setor privado analisam como positivos.

A economia, como ciência social, vai além dos indicadores econômicos. Busca na verdade a melhoria da condição de vida da população, portanto, busca indicadores sociais.

Queda da mortalidade infantil, aumento da expectativa de vida ao nascer, ampliação do nível de escolaridade, entre outros, são indicadores que fazem efetivamente a diferença.

Há um indicador que parte do econômico e atinge diretamente o social: a distribuição de renda.

Neste particular o Brasil tem um enorme desafio pela frente. Apesar da ascensão social de mais de 30 milhões de brasileiros, o país amarga a quarta posição mundial em termos desigualdade de renda.

Isso quer dizer que convivemos com enorme concentração de renda. A distância entre os pobres e ricos é muito acentuada e esse verdadeiro abismo social remete a refletir se efetivamente as políticas públicas estão no caminho certo.

Poderíamos avançar, por exemplo, na avaliação do desempenho do executivo municipal. Considerando que as pessoas vivem nas cidades, em última instância o prefeito da cidade deve assumir o controle destes indicadores, poderíamos eleger entre cinco e dez indicadores sociais que efetivamente retratassem avanços nesta área.

Alardear que foram aplicados recursos em pavimentação, que foram canalizados recursos para educação e saúde, que a cidade atraiu grande número de empresas, é no máximo criar pré-condições para avançar na qualidade de vida e não melhorar as condições de vida.

Se isso fosse discutido com a sociedade, os papéis dos gestores públicos ficariam bem definidos, isto é, qual a responsabilidade do executivo municipal, do executivo estadual e do executivo federal.

Seria um novo olhar sobre a gestão da coisa pública. Indicadores divulgados, sem que haja reação do homem público, sem que haja indignação da sociedade, só servem para constatar o caos. Em tempos de eleições municipais é preciso ir além das questões óbvias.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib, diretor do Corecon e articulista do JC

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