Cultura

Cover sim, caricatura não

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

Cover sim, teatro não. As bandas covers estão “em alta”. Porém, para se profissionalizarem, precisam tomar cuidado para não deixar o show se transformar em algo caricaturesco ou que lembre uma “cópia” mal feita dos grupos originais. Prezando pela espontaneidade, grupos que já estão há alguns anos na estrada dizem que a preocupação com a caricatura existe. Afinal, os músicos não podem ser confundidos com atores cômicos em palco.

“O show musical não pode virar um circo, um teatro. A banda cover tem de demonstrar paixão e transmitir isso ao público de forma bem espontânea”, frisa o baterista Euler Silva, integrante de duas bandas cover de Bauru: a Highvoltage AC/DC Cover e a Midnight Special Creedence Tribute. A Highvoltage busca interpretar o consagrado grupo australiano AC/DC e já está há cinco anos na estrada, Brasil afora. A banda fará show comemorativo previsto para setembro, no Parque Vitória Régia. Já a Midnight faz tributo ao Creedence e acumula quatro anos de existência.

Conforme analisa Euler, por mais que exista a preocupação em fugir de caricaturas, há grupos que exageram. “Existem certas bandas que cometem exageros e aí fica parecendo algo mais caricato. A gente tem muito cuidado com isso, buscamos mostrar nossa identificação com aquela música”, aponta Euler.

 

Cópia bem feita

O guitarrista Fernando Gamba, da banda Classical Queen, cover do conjunto inglês de rock Queen, alega que a preocupação em “copiar” e se tornar uma réplica da banda original existe. Porém, considera que este trabalho exige muito profissionalismo, justamente para não se render a um trabalho caricato.

O grupo, inclusive, tem apresentação marcada para tocar em Bauru no dia 28 de setembro, no Jack Music Pub. “A nossa banda, que já está há oito anos na estrada, procura fazer uma réplica fiel do Queen. Então, preparamos cuidadosamente toda parte de figurino, assistimos aos shows... toda a parte visual tem que ser muito bem feita pra não cair no ridículo”, enfatiza Fernando, que interpreta Brian May, do Queen, nas apresentações do Classical Queen. “Tem que parecer uma imitação, mas não no sentido de um ‘xerox mal tirado’. O cover tem que fazer homenagem, que não pode virar uma ofensa”, salienta.

A ‘cópia’ é bem feita e profissional quando, principalmente, o grupo cover deixa transparecer a paixão pelo grupo oficial. “A paixão da banda cover, quando é espontânea, passa naturalmente ao público. Se não tiver isso, vai ficar forçado”, destaca.

 

Público

Curioso é o comportamento do público. Por mais que os covers fujam de performances teatrais, em algumas ocasiões, parcelas de fãs querem algo mais caricato. É o que afirma Adam Presley, cover da Elvisback Big Band, que também se apresentará em Bauru, no próximo dia 29 de setembro, no Jack Music Pub.

“Tenho a proposta de levar a essência do que foi Elvis Presley para as pessoas. Eu recrio a alma dele, mas não imito. Porém, enfrento certas dificuldades em relação a isso”, conta Adam em entrevista exclusiva concedida ao JC na edição de anteontem. “As pessoas, às vezes, esperam um trabalho mais caricato. E, na realidade, não é isso que procuro levar para as pessoas. Eu procuro levar o que o ídolo fazia mesmo, procuro reviver o show, o estilo. Não faço um show de ‘animador de torcida’. Eu recrio a postura dele, mas não vou sair por aí, rebolando”, diz o cover.

O músico Euler Silva, de Bauru, também comenta essas reações mais diversas por parte do público. “Tem público de todo jeito. Tem pessoas que se deixam levar, se identificam com o clima e ambiente do cover. Mas há pessoas que observam detalhes no modo de se vestir, como um tênis”, ressalta. 

 

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