Polícia

?Amigos de infância? matam idoso

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

João Rosan

Elton Cardoso é um dos 3 presos por matar idoso, mas nega. 

Noite de 26 de junho de 2012. Três disparos tiraram a vida do aposentado Gumercindo Luiz dos Santos, 80 anos, em Ubirajara (82 quilômetros de Bauru). Ontem, a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, descobriu o motivo do crime: dinheiro. Três bauruenses foram presos e acusados do latrocínio. Outro, o “que deu a fita”, ainda está desaparecido.

O crime ocorreu no bairro Água do Caçador, zona rural de Ubirajara. Na ocasião, a vítima estava com sua esposa, de 73 anos. Ao perceber que um grupo tentava invadir sua casa, ele ainda conseguiu segurar a porta. A resposta dos bandidos foi fatal: vários disparos de, pelo menos, dois calibres diferentes.

Ontem, a DIG de Bauru esclareceu o crime, que foi motivado por dinheiro. E os autores estavam bem longe da cena do latrocínio. Eles moram no bairro bauruense Nobuji Nagasawa e, de acordo com a polícia, eram “amigos de infância”. Elton Jhones Leite Cardoso, 19 anos; Diego Pereira Telles, 19; e Marcel Paschoal Ferrari, 21 anos, já estão presos. Outro suspeito está desaparecido.

De acordo com o titular da DIG, Kleber Granja, que respondia pelo perímetro de Ubirajara na época do crime, as primeiras linhas de investigação apontavam vingança ou drogas. “Ele tinha um desafeto com um morador próximo e também um familiar supostamente envolvido com entorpecentes. Porém, em poucos dias, percebemos que nenhum desses pontos motivou o crime”.

As investigações reacenderam com a informação de que um bauruense chamado “Elton” estaria envolvido. Só o primeiro nome e as características foram informadas. No banco de dados da polícia, um suspeito em potencial surgiu: Elton Jhones Leite Cardoso.

Restava aos policiais descobrir quem mais teria participado do latrocínio. Foi só jogar o nome de Elton no sistema. Lá, constava que, quatro dias após o crime, ele havia sido abordado pela Polícia Militar (PM) juntamente com Diego Pereira Telles, 19 anos. A dupla já tinha passagens por roubo e tráfico de drogas.

Na abordagem, os policiais encontraram, em posse de Diego, um revólver calibre 38 com numeração raspada. Ele foi preso por porte ilegal de arma de fogo e encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru, onde continua preso. Já Elton Jhones entrou no registro só como testemunha.

 

O motorista

Com dois suspeitos, as investigações prosseguiram. Por meio de uma testemunha protegida e do próprio depoimento de Elton, os policiais chegaram a outro morador do Nobuji Nagasawa: Marcel Paschoal Ferrari, 21 anos. O operador de máquinas seria um dos motoristas que, em motocicletas, teriam levado os bandidos até o sítio da vítima.

Em sua residência, foram localizados três projéteis, de calibre 38 e 32. Ontem, ele, que é o único sem passagens criminais, chorou muito perto de seu pai (leia mais abaixo) e confessou ter sido o motorista da ação.

“O Marcel afirma que ficou na motocicleta e que o Elton, o Diego e outro homem foram até a residência da vítima. Pelas apurações, parece que esta versão é verdadeira”, explica o delegado Kleber Granja.

Tanto Marcel quanto Elton foram conduzidos à DIG ontem. Lá, confessaram ter ido até o sítio da vítima com o intuito de roubar, uma vez que, na propriedade do aposentado, estaria guardada quantia volumosa de dinheiro. “Eu nem sei do que eles estão falando. Não fiz nada”, diz Elton.

Foram expedidos mandados de prisão temporária a eles por 30 dias. Ambos serão conduzidos para a Cadeia Pública de Pirajuí. Já o outro suspeito continua desaparecido.


Dor de uma família

Na frente da DIG, a tristeza de uma família transbordava. E não eram os familiares da vítima. Tratavam-se dos pais de Marcel Paschoal Ferrari. Ambos surpresos com o caso, foram unânimes em descrever aquele momento: “dói muito”.

O pai é um aposentado de 50 anos e a mãe, uma mulher de 43 anos que ainda estava com o uniforme do serviço. “Se ele realmente for culpado, ele deve pagar. Mas tem que ser provada a culpa dele antes”, questionou a mulher.

Já o pai, bastante cabisbaixo, só relatava sua surpresa. “Ele sempre foi um bom menino. Nunca deu problema em nada. Trabalha e fez um monte de cursos”, lamentou.

O próprio Marcel apresentava muito arrependimento. Ele confessou ter levado o grupo até a residência da vítima por cerca de R$ 5 mil. “Nunca imaginei que eles iriam fazer isso”, disse, chorando bastante.

Questionado sobre o sentimento, ele afirmou: “só quero dar um abraço no meu pai”. Logo depois, desabou novamente em lágrimas ao ouvir que sua prisão temporária havia sido emitida.


Investigações do latrocínio levaram a Polícia Civil a esclarecer outros crimes

As apurações da DIG sobre o latrocínio chegaram a outros dois casos. O primeiro foi na tentativa de localizar o único do grupo que continua desaparecido. As informações davam conta de que ele morava na Pousada da Esperança.

O suspeito não estava no imóvel. Lá, porém, havia um jovem de 20 anos. Em revista à residência, foram localizadas dez munições, de calibres 38, 32 e 22. “Não conseguimos ligá-lo ao latrocínio e ele alegou que a munição era o pagamento de um serviço de pedreiro que ele fez. Autuamos por posse de munição ilegal, foi arbitrada fiança de R$ 200,00 e ele foi liberado”, explica o delegado.

O outro caso foi o esclarecimento de um roubo. Como Elton Jhones Leite Cardoso e Diego Pereira Telles já tinha extensa ficha criminal, foram levantadas suspeitas sobre a dupla. Ontem, um homem esteve na DIG e reconheceu Elton como autor de um roubo ocorrido em 13 de março.

 

‘Suspeito X’

O elo entre duas cidades que estão a mais de 80 quilômetros de distância seria um homem que, sem ter o nome revelado, é chamado de “suspeito X” pelo titular da DIG, Kleber Granja. Ele seria o bauruense que tinha ligações com Ubirajara e, por isso, idealizou o crime.

“Estamos no encalço deste homem. Não revelamos o nome dele para não atrapalhar as investigações”, complementa Granja.

Além da prisão desse “suspeito X”, a outra peça que falta ao quebra-cabeça é localizar a arma calibre 32 que também foi utilizada no crime. “É muito provável que o revólver 38, que foi encontrado com o Diego Telles, seja uma das armas do crime. Pedimos um laudo de balística para comprovar isso. Então, só falta a arma calibre 32”, conclui. 

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